RoB Love transforma sonho, liberdade e reggae solar em expansão no álbum MAGIK






A cantora e compositora recifense RoB Love lançou no dia 21 de janeiro um trabalho que soa como abertura de janelas depois de um período de clausura. Se o disco escrito na pandemia refletia o peso daquele tempo, MAGIK é o oposto: solar, vibrante, espiritual e profundamente político.


Em conversa com a ASetlist, RoB falou sobre liberdade, divisões sociais, sonhos transformados em música e sobre como o reggae se tornou sua forma mais honesta de existir no mundo.

Um disco que precisava ser luz

RoB conta que chegou a finalizar um álbum durante a pandemia, mas percebeu que ele retratava exatamente aquele momento denso e fechado. Faltava sol.


“Eu senti uma necessidade gigante de fazer um álbum solar”, explica. E foi assim que começou a construção de MAGIK, um trabalho desenvolvido ao longo de dois anos e gravado em 2025, que carrega essa vibração iluminada do reggaem sem fugir de temas profundos.

O álbum gira em torno de liberdade, transformação e amor. Mas não de forma ingênua. Existe tensão. Existe questionamento. Existe mundo.

Entre o inglês e o português, sem pedir permissão

Um dos pontos mais interessantes de MAGIK é a fluidez entre inglês e português. Não há cálculo estratégico ali, há naturalidade.

RoB não decide em qual idioma vai compor. A música simplesmente chega. Algumas nascem em inglês, outras em português, e às vezes as duas línguas coexistem na mesma faixa. O resultado é uma linguagem própria, orgânica, que amplia o alcance emocional das canções.

Essa mistura reforça a ideia de expansão que a artista define como palavra-chave do álbum.

“High and Free”: do pesadelo à libertação

Entre as faixas, “High and Free” carrega uma das histórias mais íntimas do disco. A música nasceu de um sonho contado por sua filha, envolvendo grades se fechando e uma sensação de aprisionamento.

A partir dessa imagem, RoB construiu uma canção que fala sobre liberdade, mas também sobre a ausência dela. Sobre os limites invisíveis que criamos como sociedade. Sobre as divisões que nos trancam.

Um verso chama atenção: “They cage us today, will lock you up tomorrow.”

Mais do que poético, é um comentário direto sobre o mundo atual. Sobre como nos agrupamos, nos fechamos em ideias e, acreditando estar defendendo algo, acabamos nos afastando cada vez mais uns dos outros.
“Isso não é liberdade”, resume.

O reggae como caminho e linguagem

O reggae não é apenas uma escolha estética para RoB Love, é identidade. Nascida e criada em Recife, cidade de contrastes intensos entre natureza e desigualdade social, ela encontrou no gênero uma forma leve de falar sobre assuntos densos.

Suas referências passam por Bob Marley, pelo dub, pelo lovers rock, pelo rocksteady e também pela psicodelia. Mas ela deixa claro: não se trata de seguir uma cartilha.

É um reggae sem compromissos de rótulo — é o reggae dela.

A influência de Chico Science aparece menos no som e mais na atitude: criar algo fincado na própria terra, mas com vocação universal. Ter raízes fortes e mente aberta para o mundo.

Um encontro que atravessou 20 anos

A produção de MAGIK carrega uma história quase cinematográfica. Duas décadas após um primeiro encontro que nada tinha a ver com música, RoB realizou o desejo antigo de trabalhar com Mario Caldato Jr.

Ao lado de Kassin, os dois assinam a produção do álbum, uma combinação que, segundo a artista, funcionou como “a dupla dos sonhos”.

Se Mario traz a visão ampla, os efeitos, as texturas e a construção de atmosfera, Kassin mergulha nos arranjos, instrumentos e nuances emocionais. O resultado é um disco que cresce dentro do estúdio, mas mantém frescor e espontaneidade.

Quando a música vira alinhamento

Antes de assumir a música como profissão, RoB estudou design. Mas, segundo ela, houve um momento de virada interna: quando decidiu que a música deixaria de ser apenas paixão paralela para se tornar caminho definitivo.

“Quando eu decidi isso, fiquei mais alinhada na vida”, conta.

Uma palavra para definir?

Desafiada a resumir o álbum em uma única palavra, RoB não hesita muito:

Expansão.

Expansão musical, espiritual, emocional. Um disco que abre caminhos para ela e para quem escuta.

MAGIK chegou às plataformas no dia 21 de janeiro e marca não um ponto de chegada, mas o início de um novo ciclo para RoB Love. Um ciclo em que o reggae é veículo, mas a mensagem é maior: união, consciência e liberdade, mesmo quando o mundo insiste em levantar grades. E talvez a mágica esteja exatamente aí.


Ficha Técnica
Rob Love: Direção geral 

Bárbara Maranhão: Produtora executiva 

Roberta Senna: Direção de comunicação, marketing e branding 

Kassin e Mário Caldato Jr: Produtores

Mauro Araújo: Engenheiro de gravação

Mário Caldato Jr: Engenheiro de mixagem

Felipe Tichauer: Engenheiro de masterização


Visualizers e capa

Foto e vídeo

Emílio Rangel: Direção de arte e design

Raquel Suspira: Produção de arte

Camila Ferza: Stylist

Fernanda Godoy: Beleza


Fotos de Divulgação 

Jorge Bispo: Foto

Camarano: Stylist

Fox: Beleza


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