Monsters of Rock 2026: Allianz Parque viveu um dia inteiro de riffs, clássicos e devoção ao rock

 

São Paulo acordou de preto no último sábado, 4 de abril. Desde a abertura dos portões, o entorno do Allianz Parque já dava o tom do que viria: camisetas desbotadas de turnês históricas, pais apresentando filhos ao primeiro festival e aquele clima de romaria rock’n’roll que o Monsters of Rock sabe provocar como poucos.

 Créditos: Ricardo Matsukawa

Quando o Guns N’ Roses finalmente subiu ao palco, às 20h30, não havia mais dúvida: o festival tinha encontrado seu ápice. A banda entregou um show direto, potente e com menos firulas do que em outras passagens recentes pelo país, cerca de 2h30 de set, 24 músicas e um equilíbrio interessante entre obviedades necessárias e algumas surpresas para os fãs mais atentos.


“Welcome to the Jungle” abriu os trabalhos como um chamado coletivo. Axl correu pelo palco, distribuiu sorrisos, arriscou palavras em português e mostrou que, gostem ou não das comparações com décadas passadas, sua presença continua magnética. Slash, por sua vez, foi Slash: cartola, postura intacta e solos que transformaram o estádio em extensão da própria guitarra. É impossível não se arrepiar quando ele puxa os primeiros acordes de “Sweet Child o’ Mine” ou quando estica cada nota em “November Rain”.


Créditos: Guns N’ Roses


O repertório ainda trouxe novidades como “Nothin’” e “Atlas”, resgatadas do universo de Chinese Democracy, além da rara “Bad Apples”. Teve homenagem a Ozzy Osbourne com “Junior’s Eyes”, telão iluminado e aquele momento em que o festival inteiro parece cantar não só por si, mas por uma história maior do rock. No fim, “Paradise City” selou o ritual com chuva de papel picado e um Allianz Parque completamente entregue.


Antes deles, o Lynyrd Skynyrd fez sua estreia no Monsters carregando tradição e emoção. “Sweet Home Alabama” foi cantada como hino informal da noite, enquanto “Free Bird” virou aquele instante de braços erguidos e celulares no alto, um tributo coletivo a um legado que segue vivo nos palcos.


O Extreme mostrou que técnica e carisma ainda caminham juntos: Nuno Bettencourt foi ovacionado a cada solo, e “More Than Words” ecoou em coro afinado, provando que o hard rock também sabe ser delicado. Já o Halestorm trouxe peso contemporâneo ao line-up, com Lzzy Hale dominando o palco e lembrando que o rock atual tem voz, atitude e potência.

No meio da tarde, o virtuosismo quase acadêmico de Yngwie Malmsteen transformou o festival em uma aula de guitarra em alta velocidade, enquanto Dirty Honey e Jayler representaram a nova geração que mantém o gênero pulsando.


O Monsters of Rock 2026 foi um encontro de tempos diferentes dividindo o mesmo espaço, com veteranos que viveram os anos 90, jovens descobrindo clássicos ao vivo pela primeira vez e uma certeza compartilhada: o rock pode até mudar de forma, mas continua encontrando em São Paulo um dos seus públicos mais fiéis.

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