J Balvin leva a linguagem global do reggaeton ao Palco Mundo do Rock in Rio

Colombiano revisitou sucessos, recebeu Pedro Sampaio e Melody e reforçou a conexão entre o reggaeton latino e o funk brasileiro

Créditos: MORIVA / @LALI_MOSS

Quando J Balvin subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio neste sábado (12), o reggaeton já não chegava ao festival como uma novidade ou como um gênero convidado a ocupar um espaço específico dentro da programação. O colombiano apareceu no principal palco da Cidade do Rock como um dos nomes responsáveis por levar a música urbana latino-americana ao centro do pop mundial. A missão era também particularmente importante dentro da programação do penúltimo dia de festival: manter o público aquecido antes de Demi Lovato e Maroon 5, depois de um show de Pedro Sampaio que já havia colocado o funk brasileiro no comando da pista.

E foi justamente essa conexão com o Brasil que ganhou uma das cenas mais interessantes da apresentação. Balvin chamou Pedro Sampaio ao palco para cantar “Perversa”, parceria lançada em 2025 que combina funk brasileiro e reggaeton latino. A colaboração já tinha uma história anterior ao Rock in Rio: os dois haviam dividido o palco do The Town, em 2025, quando também apresentaram a faixa e “Cavalinho”. Desta vez, porém, Pedro havia acabado de fazer seu próprio show no Palco Mundo e retornou à estrutura para participar da apresentação do colombiano.

A participação ganhou uma segunda camada quando Pedro anunciou que tinha um “presente” para Balvin e chamou Melody ao palco. A cantora entrou de surpresa para apresentar “JETSKI”, hit de Pedro Sampaio com Melody e MC Meno K, levando para o espetáculo de um dos maiores nomes do reggaeton uma música diretamente ligada ao funk pop brasileiro. A escolha fazia sentido dentro da própria trajetória recente de Pedro, que vem aproximando suas produções de diferentes mercados e, em “Perversa”, transformou deliberadamente o encontro entre funk e reggaeton em parte de sua linguagem artística.

Antes disso, Balvin já havia iniciado a apresentação com “Mi Gente”, em parceria com Willy William, e passou por faixas que ajudaram a construir sua trajetória internacional. “Bola Rebola”, colaboração com Anitta, “Loco Contigo”, com Tyga, e “Con Altura”, com Rosalía, apareceram no repertório, deixando claro que o artista também se construiu por meio de uma extensa rede de colaborações. Ao longo do show, vieram ainda músicas como “Amarillo”, “Sola Conmigo”, “Ginza”, “La Canción” e “Downtown”, outra parceria importante com Anitta.

Essa escolha de repertório ajuda a entender a permanência de J Balvin no pop internacional. Desde trabalhos como La Familia e Energía, o colombiano foi ampliando o alcance do reggaeton sem precisar abandonar suas raízes. “Ay Vamos”, “Ginza” e, posteriormente, “Mi Gente” fizeram parte de uma sequência que ajudou a transformar a música urbana latina em produto global, enquanto projetos posteriores aproximaram ainda mais o gênero de elementos do hip-hop, R&B, pop e música eletrônica.

Musicalmente, o show de Balvin não precisou reinventar seu repertório para funcionar. A força esteve na capacidade de conectar músicas de diferentes fases da carreira e fazer com que elas coexistissem dentro de uma apresentação de festival. Ao mesmo tempo, a apresentação teve uma produção mais contida do que a grandiosidade associada a algumas de suas turnês recentes. Balvin apareceu com um moletom nas cores do Brasil e uma bermuda jeans rasgada, acompanhado por bailarinos vestidos de jeans, enquanto o palco apostava menos em grandes estruturas e mais na presença do artista e na sucessão de músicas. O resultado deixou o foco sobre o repertório e sobre os encontros, especialmente nas participações brasileiras.

No encerramento, uma mensagem no telão anunciou que J Balvin pretende retornar ao Brasil em 2027. É uma indicação coerente com o que o show deixou como impressão: a relação com o país já ultrapassou a condição de passagem internacional e passou a integrar a própria narrativa do artista. Entre Anitta, Pedro Sampaio, Melody e as referências ao funk, Balvin encontrou no Rock in Rio uma oportunidade de fazer do Brasil não apenas o cenário de sua apresentação, mas parte de sua linguagem.

Postar um comentário

0 Comentários