Festival apostou na diversidade sonora e transformou o esquenta de Carnaval em um
retrato do Brasil musical
Créditos: @pridiabr
O CarnaUOL 2026 deixou claro que já não cabe mais na definição de “pré-Carnaval”. Em
sua edição desse ano, o evento ocupou o Allianz Parque como um verdadeiro laboratório da
música pop tanto brasileira quanto internacional e mostrou que a folia atual é feita de
encontros improváveis, misturas ousadas e públicos que transitam entre gêneros sem pedir
licença.
Da tarde que começou no clima leve do pagode até a noite dominada por forró, pop e
performances grandiosas, o festival funcionou como um termômetro do que movimenta o
entretenimento hoje. A proposta foi menos sobre rótulos e mais sobre circulação: artistas,
estilos e plateias compartilhando o mesmo espaço, faça chuva ou faça sol.
Divas, hits e identidade: o pop como fio condutor da festa
A curadoria apostou alto ao repetir seu investimento no pop, e assim como em 2025,
quando trouxeram Christina Aguilera, o CarnaUOL acertou mais uma vez.
Dilsinho abriu os trabalhos com a segurança de quem sabe conversar com grandes
públicos, enquanto João Gomes confirmou por que se tornou um fenômeno nacional,
misturando romantismo, potência vocal e carisma popular. Marina Sena, já no fim da tarde,
apresentou um show que passa por diferentes fases da carreira, equilibrando sensualidade,
estética e um repertório pensado para dançar.
O ponto de virada veio com Kesha. Após mais de uma década longe do Brasil, a cantora
transformou o CarnaUOL em uma pista de dança, marcada por discurso de liberdade,
entrega vocal e uma sequência de hits que dispensam feitos grandiosos. Mesmo com uma
estrutura mais simples, sua presença teve peso simbólico e emocional, não só pelo
reencontro com o público, mas pelo momento de autonomia artística que a cantora vive
hoje.
O encerramento com Pabllo Vittar deixa claro o espírito do festival. Headliner nacional, a
drag queen apresentou um show com banda, balé e um repertório que junta forró, brega,
eletrônico e pop. Sua apresentação não apenas fechou a noite, mas funcionou como
momento de deixar claro que um Carnaval plural, híbrido e atravessado pela cultura pop e
pela diversidade veio para ficar.
Ao final, o CarnaUOL 2026 se afirma menos como aquecimento e mais como um festival
responsável pelo retorno e apresentação de grandes nomes da música. Um evento que
entende o Carnaval como território em constante transformação, onde o piseiro pode dividir
espaço com o pop internacional.

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