Na última sexta-feira, 06 de fevereiro, My Chemical Romance voltou a escrever mais um capítulo emocionante da sua história com o Brasil.
Diante de um Allianz Parque completamente lotado, a banda entregou um espetáculo que foi muito além de um simples show: foi uma experiência sensorial, teatral e profundamente afetiva para uma geração que cresceu ao som de delineador borrado, camisetas pretas e letras que ajudaram a atravessar fases difíceis da vida.
O clima antes mesmo do início já dizia muito. Gente de todas as idades, mas majoritariamente adultos que um dia foram adolescentes ouvindo Three Cheers for Sweet Revenge no quarto, se encontravam com olhos marejados e sorrisos nervosos. Não era só mais um evento, porque se tornou reencontro com versões passadas de si mesmos.
A proposta da turnê, centrada na execução integral de The Black Parade, transforma o palco em um verdadeiro teatro rock. Com figurinos de marching band, narrativa conceitual e uma estética sombria e elegante, o MCR encena o álbum como uma obra viva. Cada música parece um ato, cada silêncio é calculado, cada explosão de luz e fumaça serve à história. É impossível não se sentir sugado para dentro desse universo.
Gerard Way conduz tudo com uma presença magnética. Dramático na medida certa, intenso, mas também humano, ele alterna entre o personagem e o artista, criando uma ponte direta com a plateia. Em “Welcome to the Black Parade”, o estádio inteiro canta como se fosse um ritual coletivo. Em “I Don’t Love You”, milhares de vozes se unem num coro quase doloroso.
Depois do mergulho completo em The Black Parade, o grupo retorna ao palco com uma energia mais crua, mais direta, quase como se dissesse: agora é hora de celebrar a trajetória. Clássicos como “Helena” e “Na Na Na” surgem como catarse, enquanto surpresas como “To The End” e “SING” arrancam gritos inesperados. O encerramento com “The Foundations of Decay” reforça que, mesmo após tantos anos, o My Chemical Romance ainda soa atual.
Sim, “The Ghost of You” ficou de fora e a ausência foi sentida. Mas, honestamente, diante de tudo o que foi entregue, vira detalhe. O saldo é de um show grandioso, emocionalmente honesto e artisticamente ambicioso.
Antes disso tudo, quem aqueceu o público foi o explosivo The Hives. Donos de um garage rock acelerado e irresistível, os suecos transformaram a abertura em um verdadeiro espetáculo à parte. O vocalista, carismático ao extremo, se comunica em português, brinca, provoca e domina o estádio com facilidade. Daquelas bandas que conquistam.
O My Chemical Romance provou, mais uma vez, que transcende rótulos e épocas. É uma banda emo dos anos 2000, um fenômeno cultural que continua encontrando novos fãs e mantendo os antigos profundamente conectados.
0 Comentários