De origem bantu, “canjerê” nomeia festas e rituais em que se celebra o axé e se convoca a presença de Nkisis, Orixás e Voduns. É nesse espírito — de encontro e feitiçaria — que nasce “Canjerê”, o quarto álbum de estúdio do rapper, pedagogo e educador popular Thiago Elniño, artista de Volta Redonda (RJ).
Produzido por Matheus Padoca — com faixas também produzidas por Issa Mulumba e Martché — o disco expande o rap de Elniño, sempre aberto à experimentação, em um terreiro sonoro onde a espiritualidade se encontra com a luta do povo preto. As letras fortes, marca registrada do artista, seguem afiadas e devotas de suas lutas e crenças, enquanto a paleta musical atravessa rap, música jamaicana e afrobeats, em diálogo com ritmos brasileiros como o samba, pagodão baiano, guitarrada paraense, jongo e Folia de Reis.
Ao longo do processo de produção, o álbum surpreendeu a equipe e colaboradores. Quem ouvia as faixas em construção saía eufórico e impressionado com a força do que nascia. O boca a boca foi despertando desejo de artistas e agentes do mercado musical de estarem envolvidos com o projeto.
Em 14 faixas, “Canjerê” promove um grande encontro de vozes e linhagens da música preta brasileira: de guardiões como Gloria Bomfim, Lazzo Matumbi, Sapopemba, Daúde e Sérgio Pererê a pares da cena contemporânea como Rashid, Tássia Reis, Bixarte e Felipe Cordeiro. Um momento especial é “Voltei Para Cantar”, música que conta com composição e gravação inéditas do mestre mineiro Marku Ribas — importantíssimo artista falecido em 2013 —, reafirmando o elo de ancestralidade viva que atravessa o disco.
“Esse é um disco para que as pessoas cantem com orgulho de sua espiritualidade, com orgulho de serem macumbeiras. Quis promover um grande encontro de gente que tem fé — no terreiro e nas ruas — dos caboclos de lança aos caboclos de pena e às Folias de Reis. Essa ocupação das ruas com riqueza, magia e coragem é muito Hip Hop.” — Thiago Elniño.
Com diversidade e coesão raras e identidade visual forte, “Canjerê” chega hoje às plataformas digitais abordando temas urgentes com refrães acessíveis e energia radiofônica. É um disco que, apesar das 14 faixas, passa com rapidez e fluidez, e cria imagens na mente: se nos palcos Thiago costuma emular uma gira de Umbanda, aqui ele constrói a imagem sonora de um terreiro de múltiplas celebrações espirituais pretas.
“Canjerê” conversa com experiências globais como Bad Bunny em “Debí Tirar Más Fotos” (2025) e C. Tangana em “El Madrileño” (2021), discos que relacionam nostalgia e modernidade. Com isso, Thiago consolida sua maturidade musical e reafirma a missão: fazer da música um lugar de encantamento, consciência e cura coletiva.
O disco já está disponível em todas as plataformas digitais pela gravadora Deck, que já lançou artistas como Black Alien, Pitty, e Elza Soares.
Sobre Thiago Elniño
Rapper, Pedagogo e Educador Popular natural da cidade de Volta Redonda, RJ, Thiago Miranda é envolvido com a música desde os 15 anos de idade, o nome artístico, Thiago Elniño, veio da simbologia da alteração de temperamento drástica de um sujeito, hora tranquilo, hora extremamente agressivo no palco quando passou a participar de batalhas de MCs. Hoje com sua forte identidade ligada às lutas da população preta, sua cultura e espiritualidade, Thiago se estabelece como um importante e interessante nome no rap brasileiro
Com a mixtape "Fundamento" (2013), os EPs "Cavalos de Briga" (2012) , "Filhos de Um Deus que Dança" (2016), "Ondas" (2023) e "Ominira - A Vida de João Bento" (2023) e "Sankofa" (2024) em parceria com o rapper GOG, e os discos "A Rotina do Pombo"" (2017), Pedras, Flechas, Lanças, Espadas e Espelhos" (2019) e "Correnteza" (2021), Thiago conta com parcerias com importantes nomes da música nacional como Luedji Luna, Tassia Reis e Rincon Sapiência, Elniño tem o nome cada vez mais presente em palcos de grandes eventos e festivais ao redor do país, e também se faz fortemente presente em espaços de educação, onde como educador popular tem circulado com a palestra/espetáculo "O Menino Que Roubava Gibis", onde de forma divertida e interativa promove a prática e o consumo literário como uma forte possibilidade de ascensão sociocultural.
Ficha Técnica
Direção Artística: Thiago Elniño
Produção: Matheus Padoca*
*Faixas 1, 4 e 5: Produção de Issa Malumba, coprodução de Matheus Padoca.
*Faixa 6: Produção de Martché, coprodução de Matheus Padoca.
Mixagem e Masterização: Luis Lopes
Edição de vozes: Enrico Romano
Identidade Visual: Dnego
Fotografia da Capa: Sadcoxa
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