O Grilo celebra 5 anos de “Você Não Sabe de Nada” com turnê especial e novidades no horizonte

 

Banda revisita disco que marcou uma geração enquanto prepara novo álbum e ensaios abertos com músicas inéditas

Crédito: Murilo Amancio

Cinco anos depois do lançamento de “Você Não Sabe de Nada”, a sensação é de que o tempo passou, mas a conexão permanece intacta. Em conversa com a Setlist, a banda O Grilo refletiu sobre a trajetória do disco que consolidou seu nome na cena nacional e anunciou uma turnê que promete revisitar todas as faixas do álbum.

“Eu sinto que ele envelheceu muito bem. As músicas fazem bem pra gente, fazem bem pros fãs”, resume Pedro, vocalista do grupo. Mais do que celebrar um marco na carreira, a turnê também representa uma segunda chance para quem não conseguiu viver essa fase ao vivo.

“Muita gente que não pôde ver esses shows agora vai ter a oportunidade, seja pela idade, seja pela localidade”, comenta a banda.

Mas talvez o aspecto mais simbólico dessa comemoração seja perceber que o disco não cresceu sozinho, os fãs cresceram junto com ele.

“Muita gente conheceu o Grilo quando lançou o álbum. Hoje essas pessoas estão cinco anos mais velhas. É muito louco pensar nisso”, refletem. “Se a pessoa tinha 15 anos, agora tem 20. São anos muito intensos da vida. O disco marca um período específico pra muita gente.”

Setlist pensada como celebração

Se a regra é clara, ela é simples: todas as músicas de “Você Não Sabe de Nada” estarão no show. Até as mais inesperadas.

“A regra número zero é tocar todas as músicas. Até ‘E Daí Eu Sei Lá’, que tem um minuto e meio”, brincam.

O repertório, no entanto, não será linear. A ideia é equilibrar o espírito da época com a evolução sonora da banda, incluindo faixas anteriores e músicas mais recentes que dialogam com a energia do disco.

“Tem músicas do ‘Tudo Acontece Agora’ que a gente olha e fala: essa aqui é meio ‘Você Não Sabe de Nada’”, explicam.

O fenômeno “Serenata Existencialista”

Entre as faixas que seguem atravessando gerações está “Serenata Existencialista”, música que viralizou e se tornou um dos maiores hinos da banda.

“Era a música que a gente menos apostava no EP”, revelam. “E parece que a cada ano ela reviraliza.”

A explicação talvez esteja no espírito da faixa jovem, questionador e existencialista. “Quando você é adolescente, tem contato com filosofia pela primeira vez, aquilo brilha os olhos. E o mundo também não ajuda muito a ser otimista. Acho que o espírito da música se fortalece em tempos sombrios.”

Da pandemia à profissionalização

Se “Você Não Sabe de Nada” nasceu em meio à pandemia, quando a banda ainda dividia a música com faculdade e estágios, o álbum seguinte marcou uma virada de chave.

“TUDO ACONTECE AGORA” foi o primeiro trabalho feito com a banda já vivendo integralmente da arte.

“A gente tava rodando, pegando avião pra fazer show, encontrando fãs. É um disco que reflete esse momento nosso como artistas.”

Foi nesse contexto que surgiu a ideia da “agência de viagens” — conceito visual e narrativo que amarra o segundo álbum. “A gente percebeu que o disco falava muito sobre viagens, não só físicas, mas emocionais. A vida como uma grande viagem”, explicam.

Estrada, perrengues e privilégios

Rodar o Brasil também faz parte dessa história. A banda relembra o primeiro show pós-pandemia, em Bombinhas (SC), quando viajaram em uma caravan antiga que quebrou no caminho e chegaram ao show literalmente de guincho.

“A gente desceu do guincho e foi direto pro palco”, contam, entre risadas.

Apesar dos perrengues, a estrada é vista como privilégio. “Conhecer a regionalidade do Brasil é muito especial. Cada lugar recebe as músicas de um jeito diferente.”

E o futuro?

Enquanto celebram o passado, o futuro já está em movimento. Antes mesmo da turnê, a banda realiza ensaios abertos com músicas inéditas, que devem compor o próximo disco. “São músicas que ainda estão em processo. A gente toca no meio do público, explica o que está pensando. É quase como dividir o estúdio com as pessoas.”

A previsão é entrar em gravação no segundo semestre.

O que ainda não sabemos?

Ao final da conversa, a pergunta inevitável: depois de tudo isso, o que o público ainda não sabe sobre O Grilo?

“Acho que é impossível saber tudo. Nem a gente sabe tudo sobre a gente mesmo”, refletem.

E talvez essa seja justamente a mensagem central que atravessa o disco e continua atual cinco anos depois: aceitar que não saber também é parte do processo.

“Se permitir ser ignorante é uma das coisas mais libertadoras que existem.”


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