A banda paulistana Anônimos Anônimos lança o primeiro disco completo 'Acabou Sorrire' pelo selo Forever Vacation Records, com nove faixas que marcam a fase mais coesa da banda, depois de dois EPs em que o quarteto experimentou diferentes caminhos dentro do rock alternativo.
Acabou Sorrire é a Anônimos Anônimos em seu trabalho mais sólido até agora. O disco mantém a energia dos primeiros lançamentos, mas mostra uma banda mais consciente do que quer comunicar, com canções melódicas, letras pessoais e um caminho mais claro dentro da nova cena independente brasileira.
Com letras em português, melodias diretas e temas pessoais, o disco aproxima indie rock, pop punk, emo, dream pop e referências brasileiras.
É um passo natural e maduro do que a banda já vinha construindo na cena independente em sua passagem pela Repetente Records, selo fundado por Badauí e Phil Fargnoli, do CPM22, além de ter sido recomendada por Clemente, dos Inocentes, como revelação no programa KZG News.
Identidade e repertório coeso
O título do álbum nasceu de uma brincadeira com “Acabou Chorare”, dos Novos Baianos, mas acabou ganhando sentido próprio dentro da trajetória da Anônimos Anônimos. Para o vocalista Flávio, o nome ajuda a explicar o clima mais pessoal do disco.
“Esse título surgiu de uma brincadeira, claro, com o ‘Acabou Chorare’, dos Novos Baianos, como se a gente estivesse no outro lado desse espectro de emoções, saindo do festivo para o mais introspectivo. Não é necessariamente um disco triste, mas é bem mais pessoal, reflexivo. Seria como oferecer um abraço em vez de chamar para ir a uma festa”, afirma.
A escolha por um repertório mais coeso veio depois de um período em que a banda ainda buscava sua identidade. Nos EPs anteriores, a Anônimos Anônimos testou sonoridades diferentes. No álbum, decidiu concentrar o trabalho nas canções que melhor representavam sua escrita.
“Nos primeiros EPs experimentamos tocar um pouco de cada estilo que a gente gosta dentro do rock, então a banda soava bem maluca, não tinha ainda uma cara definida. Aí, quando decidimos compor esse primeiro disco, com a ajuda do Capilé, decidimos focar no que fazemos melhor: as canções mais melódicas e com temas pessoais. Agora temos um repertório coeso, e estamos prontos para mostrá-lo para todo mundo”, diz Flávio.
Produção decisiva do Capilé
A produção de Alexandre Capilé foi decisiva nesse processo. Conhecido por seu trabalho como músico, produtor e figura ligada ao rock alternativo brasileiro, ele ajudou a banda a organizar as ideias e chegar ao formato final de “Acabou Sorrire”. A mixagem e a masterização ficaram com Gabriel Zander, ao lado do próprio Capilé.
“O Capilé, além de um produtor excelente, foi um mentor, um amigo, um incentivador. Foi ele quem guiou nosso processo até encontrar esse repertório com o melhor da banda, nossa verdade mais forte. Sem ele não teria esse disco, com essa qualidade alta. O Gabriel Zander entrou na mixagem e masterização com o Capilé e ajudou a levar a coisa toda para um nível ainda maior. Difícil definir, mas eu diria que ele tem uma assinatura sonora que traz peso e clareza, então fica tudo mais forte e pop ao mesmo tempo”, completa o vocalista.
Letras de situações reconhecíveis
As letras do álbum partem de experiências pessoais e de situações reconhecíveis. “Todas as faixas têm em comum essa coisa mais reflexiva, introspectiva, pintando situações ou momentos da vida que todo mundo acaba passando. Pensamentos sobre si mesmo, relacionamentos, amizades, amores, a cidade, a vida, o tempo, crescimento, dificuldades, aprendizados”, explica Flávio.
Embora dialogue com gêneros associados ao rock de fora, a Anônimos Anônimos não trata essas referências como limite. A banda busca uma leitura própria, em português, com uma maneira brasileira de escrever e cantar dentro do rock alternativo.
“As nomenclaturas mais fáceis ainda são as gringas, como indie rock, alternative rock, pop punk, emo, mas temos muito orgulho de nossas referências nacionais no rock e fora. É uma mistura daquele rock de fora com letras e um jeito brasileiro”, define Flávio.
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