BRING ME THE HORIZON: banda britânica leva ao Rock in Rio a mistura que redefiniu os limites do metal contemporâneo

 Com trajetória marcada por transformações sonoras, banda retorna ao Brasil para uma apresentação que deve unir eletrônica e elementos do pop em uma das performances mais aguardadas do festival

Créditos: Day / @a_meninadasfotos

Poucas bandas conseguiram transformar tão radicalmente a própria identidade sem perder a capacidade de dialogar com o público quanto o Bring Me The Horizon. Formado em Sheffield, na Inglaterra, em 2004, o grupo deixou para trás a sonoridade mais extrema dos primeiros anos para construir uma linguagem que atravessa metalcore, rock alternativo, música eletrônica, pop e elementos experimentais. É justamente essa trajetória de reinvenção que coloca a banda entre as atrações de maior expectativa do Rock in Rio 2026.

O grupo se apresenta no dia 5 de setembro, na Cidade do Rock. Segundo o próprio festival, a banda soma atualmente mais de 13 milhões de ouvintes mensais no Spotify e ultrapassa a marca de 3 bilhões de visualizações no YouTube. Vencedor do BRIT Award e indicado ao Grammy, o Bring Me The Horizon consolidou uma posição singular dentro do rock contemporâneo ao transformar a experimentação em uma de suas principais características.

A história da banda ajuda a explicar a dimensão dessa transformação. O que começou como um grupo associado ao deathcore e ao metal extremo ganhou novas camadas ao longo dos anos, especialmente a partir de trabalhos que ampliaram o alcance de suas composições. O lançamento de Sempiternal, em 2013, foi um dos pontos decisivos dessa mudança, aproximando o grupo de estruturas mais acessíveis sem abandonar a agressividade que havia construído sua reputação.

Depois, o Bring Me The Horizon avançou ainda mais nessa direção. O álbum That's the Spirit, de 2015, incorporou referências do rock alternativo e do pop, enquanto amo, lançado em 2019, aprofundou a presença de sintetizadores, programação eletrônica e estruturas pouco convencionais para uma banda que havia surgido na cena pesada britânica.

Essa capacidade de transitar entre extremos também se tornou parte essencial da experiência ao vivo. No palco, guitarras e bateria convivem com bases eletrônicas, mudanças abruptas de dinâmica e uma forte dimensão visual. Para o Rock in Rio, a organização define a apresentação como uma experiência de intensidade, catarse e imersão, destacando justamente a combinação entre rock, hardcore, eletrônica e vocais intensos.

A apresentação também ganha peso por acontecer em uma edição que reúne diferentes gerações do rock no mesmo fim de semana. No dia 5, o festival coloca lado a lado nomes como Bring Me The Horizon, Avenged Sevenfold e Twenty One Pilots, criando uma programação que passa pelo metal moderno, pelo rock alternativo e pela experimentação.

Para o público brasileiro, a passagem pela Cidade do Rock representa mais uma oportunidade de acompanhar uma banda que deixou de caber em uma única classificação. Em vez de escolher entre o peso e a acessibilidade, o Bring Me The Horizon construiu sua carreira justamente explorando o espaço entre os dois. No Rock in Rio, essa característica deve ganhar uma dimensão ainda maior diante de um público acostumado a transformar grandes shows em acontecimentos coletivos.


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