ACOMPANHE A COBERTURA COMPLETA DA CIDADE DO ROCK

Di Ferrero reencontra o passado sem deixar a carreira solo em segundo plano no Rock in Rio 2026



Cantor abriu o Palco Sunset com repertório que atravessou a história do NX Zero, apresentou sua atual fase solo e ainda recebeu Danilo Cutrim em um dos encontros mais celebrados da tarde.

Créditos: @cesinha

Às 15h30, enquanto a Cidade do Rock ainda começava a ganhar o movimento que marcaria o primeiro dia do Rock in Rio 2026, Di Ferrero subiu ao Palco Sunset para uma apresentação que tinha, desde o início, uma missão particular: conversar com diferentes momentos da própria carreira diante de um público que cresceu ouvindo sua voz.

O resultado foi um show que não tentou escolher entre essas duas histórias. Em vez disso, colocou passado e presente lado a lado e deixou que o público definisse a importância de cada um. “Universo Paralelo” abriu a apresentação, seguida por “Só Rezo”, uma das músicas mais reconhecidas de sua trajetória com o NX Zero. A resposta foi imediata. Mesmo com o calor da tarde e com o festival ainda em seus primeiros momentos, o público do Sunset acompanhou a música em coro, deixando claro que aquela relação construída há quase duas décadas continua intacta.
Uma carreira que continua depois do NX Zero

Esse talvez tenha sido o aspecto mais importante do show. Di Ferrero já não precisa depender exclusivamente do repertório do NX Zero para sustentar uma apresentação. A sequência de “Um Brinde”, “Daqui pra Frente” e “Unfollow” mostrou justamente essa outra etapa, marcada por uma sonoridade que transita pelo pop rock, R&B, reggae e elementos eletrônicos. É uma direção que o próprio Rock in Rio identifica como característica de sua carreira solo.

As músicas novas não apareceram como um intervalo entre os sucessos antigos. Foram incorporadas ao fluxo da apresentação como parte de uma história que continua sendo escrita. “Pela Última Vez” manteve a conexão com o repertório solo, enquanto “Corpo Fechado” e “Não É Normal” ajudaram a costurar as diferentes fases do set. A impressão é de que Di Ferrero encontrou uma maneira bastante natural de apresentar o artista que se tornou sem esconder o músico que o público aprendeu a acompanhar no NX Zero.

Quando o público vira parte do show

A relação de Di Ferrero com a plateia também foi determinante para o resultado. O cantor conhece aquele público há muito tempo. São pessoas que acompanharam diferentes fases de sua carreira, algumas desde os primeiros anos do NX Zero, outras que chegaram posteriormente por meio do trabalho solo. Isso cria uma familiaridade que não precisa ser construída do zero. Ela aparece nos refrões.

“Aonde Quer Que Eu Vá”, “Deixa Sonhar” e “Cedo ou Tarde” transformaram o Sunset em um grande coro. São músicas associadas a diferentes momentos da história do NX Zero e que, anos depois, continuam sendo reconhecidas imediatamente.

Em “Cedo ou Tarde”, especialmente, a força da memória afetiva ficou evidente. A canção pertence a uma geração que cresceu com o NX Zero, mas sua permanência no repertório mostra que ela ultrapassou o contexto em que foi lançada. Para parte do público, cantar aquela música no Rock in Rio era revisitar uma parte da própria adolescência.
O encontro com Danilo Cutrim

A apresentação ganhou outro significado quando Danilo Cutrim, vocalista do Forfun, apareceu como convidado. A participação colocou no mesmo palco dois artistas que representam uma geração fundamental do rock nacional dos anos 2000, período em que bandas como NX Zero e Forfun ajudaram a aproximar o gênero de uma nova audiência.

A presença de Cutrim provocou uma das reações mais fortes da tarde. Os dois dividiram os vocais em músicas do Forfun, levando o público a cantar junto e transformando o encontro em uma espécie de reunião informal de uma cena que marcou uma geração. Por alguns minutos, o Sunset deixou de ser apenas o palco de Di Ferrero e virou espaço para uma memória coletiva do rock brasileiro.


Créditos: @cesinha

Um artista entre duas gerações

É impossível falar sobre Di Ferrero no Rock in Rio sem mencionar a passagem do tempo.

O cantor que apareceu no festival nos anos 2000 agora retorna em uma posição diferente. Já não é apenas o vocalista de uma banda que representa uma geração. É um artista solo com uma discografia própria, outra sonoridade e uma carreira que se expandiu para além do lugar que ocupava no NX Zero.

O próprio SE7E representa essa tentativa de olhar para frente. O trabalho reúne novas composições e diferentes referências, mostrando um Di Ferrero mais interessado em ampliar possibilidades do que em simplesmente reproduzir a fórmula que funcionou no passado. Antes do festival, o cantor também havia destacado que o novo projeto refletia experiências pessoais e uma dimensão mais espiritual de sua vida.
Uma abertura que fez sentido

O horário também ajudou a definir a apresentação. Abrir o Sunset significa tocar para uma Cidade do Rock que ainda está começando a se movimentar. Parte do público chega cedo justamente para acompanhar os shows, enquanto outra parcela ainda está descobrindo o espaço e decidindo onde ficará durante o restante do dia.

Di Ferrero conseguiu trabalhar bem com essa condição. Em vez de exigir uma plateia completamente formada, o show foi crescendo junto com ela. A cada música conhecida, mais pessoas se aproximavam, e a área diante do palco se transformava progressivamente em um espaço de celebração coletiva.

O presente também tem espaço

O mais importante, no entanto, é que Di Ferrero não terminou o show preso ao passado.

A apresentação serviu como uma espécie de retrato do momento atual do cantor: alguém que carrega uma história importante dentro do rock brasileiro, mas que continua interessado em produzir música, experimentar sonoridades e construir uma identidade própria fora da banda que o revelou.

É por isso que SE7E e as músicas do NX Zero funcionam melhor juntas do que poderiam funcionar separadamente. Uma mostra de onde ele veio. A outra, para onde está indo.

Ao mesmo tempo, as músicas da carreira solo ajudam a mostrar como Di Ferrero vem construindo uma identidade artística para além da banda que o projetou nacionalmente.

Postar um comentário

0 Comentários