Em sua terceira passagem pelo Rock in Rio, trio recebe Daniela Mercury, Olodum e Narcizinho em uma celebração da música afro-baiana e do legado da própria família
Os Gilsons voltaram ao Rock in Rio neste sábado (12) carregando uma responsabilidade que vai além da própria trajetória. Pela terceira vez no Palco Sunset, João Gil, Francisco Gil e José Gil chegaram ao festival com um repertório que já possui identidade própria, mas decidiram ampliar o encontro ao lado de Daniela Mercury, Olodum e Narcizinho. O resultado foi uma apresentação que colocou a música afro-baiana no centro da Cidade do Rock e aproximou diferentes gerações de artistas que ajudaram a construir e renovar essa linguagem.
A escolha dos convidados não foi casual. Antes mesmo da apresentação, os integrantes haviam explicado que o Olodum foi parte importante de sua formação musical e ajudou a despertar o interesse pela música afro-baiana. Daniela Mercury, por sua vez, representava uma referência artística de outra geração, enquanto Narcizinho trazia para o palco uma ligação ainda mais direta com o samba-reggae: o cantor foi vocalista do Olodum durante 16 anos e é autor de “Várias Queixas” e “Bem Me Quer”, duas músicas que passaram a fazer parte da história dos Gilsons.
AVISA LÁ Ô Ô!!! arrepiado com olodum chegando no show de gilsons no rock in rio #GilsonsNoGloboplay #RockInRioNoGloboplay pic.twitter.com/OINsjQ9yAJ
— globoplay (@globoplay) September 12, 2026
É justamente essa relação de continuidade que torna o show interessante. Os Gilsons nasceram em 2018, formados pelos netos de Gilberto Gil, mas a origem familiar nunca foi tratada pelo trio como uma espécie de atalho para uma carreira. Ao longo dos anos, João, Francisco e José construíram uma sonoridade que combina MPB, pop, samba, reggae e referências afro-brasileiras, encontrando uma identidade que consegue dialogar com a tradição sem depender exclusivamente dela. O segundo álbum, Eu Vejo Luz em Maior Proporção do Que Eu Vejo a Escuridão, lançado em 2026, amplia ainda mais esse caminho.
“Várias Queixas” é talvez o melhor símbolo dessa trajetória. Composta por Narcizinho e lançada originalmente em 2009, a música ganhou uma nova dimensão quando foi regravada pelos Gilsons em 2021. A faixa passou a circular amplamente e ganhou posteriormente uma versão em espanhol na voz de Anitta, levando uma composição profundamente ligada ao samba-reggae baiano para um público ainda maior. No Rock in Rio, a presença do próprio autor ao lado do trio devolveu a canção à sua origem, mas sem apagar tudo o que ela percorreu desde então.
A participação de Narcizinho também acrescentou uma camada que vai além da homenagem. Em 2026, o artista iniciou uma nova fase de sua carreira solo depois de deixar o Olodum, onde permaneceu por 16 anos. Seu encontro com os Gilsons, portanto, colocou no mesmo palco um grupo que cresceu influenciado pelo samba-reggae e um dos artistas que ajudaram a construir essa tradição por dentro.
Daniela Mercury ampliou ainda mais essa conversa. Dona de uma carreira que ajudou a projetar a música baiana para além do Carnaval e da própria Bahia, a cantora encontrou nos Gilsons uma geração que absorveu parte dessas referências e as reorganizou dentro de uma estética contemporânea. Ao lado do trio e dos tambores do Olodum, sua participação reforçou a dimensão coletiva de uma apresentação construída muito mais sobre repertório e ancestralidade do que sobre a simples reunião de nomes conhecidos.
ALÔ, MANGUEIRA! Daniela Mercury, Gilsons e Olodum cantaram o samba-enredo da @gresmangueira no rock in rio 💚🩷#GilsonsNoGloboplay #RockInRioNoGloboplay pic.twitter.com/86hNy7qVcJ
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O Olodum, por sua vez, trouxe para o Sunset uma assinatura impossível de separar da própria história musical de Salvador. Os tambores do bloco afro ajudaram a estabelecer o samba-reggae como uma das linguagens mais reconhecíveis da música brasileira, e sua presença ao lado dos Gilsons tornou visível uma relação que normalmente permanece apenas nas referências dos discos. A banda não estava ali apenas como convidada: era parte da origem sonora que os próprios Gilsons reconhecem como fundamental para sua formação.
No Rock in Rio, essa mistura encontrou um palco de grandes proporções. E a escolha de colocar os Gilsons entre Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago e João Gomes com a Orquestra Brasileira também ajudou a construir uma sequência particularmente brasileira no Sunset. Enquanto o Palco Mundo preparava Pedro Sampaio, J Balvin, Demi Lovato e Maroon 5, o palco vizinho apresentava diferentes maneiras de entender a música popular do país.



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