Luíza Boê lança “Sonhos”, álbum que mergulha na força do onírico e da criação musical como expansão do sentir

 

Novo trabalho da artista capixaba chega às plataformas digitais no dia 31 de outubro


Capa / Foto: Elisa Maciel - Arte: Beatriz Sallowicz 


Depois de dois álbuns e um EP marcados pela sutileza poética e pela fusão entre o sagrado e o cotidiano, Luíza Boê apresenta “Sonhos”, um disco que propõe uma travessia entre o cotidiano e onírico. A artista, que desta vez assume também a direção musical, transforma o inconsciente em matéria-prima, unindo poesia, espiritualidade e pluralidade sonora. O disco fica disponível nas plataformas de música a partir do primeiro minuto do dia 31 de outubro.

Visualmente e conceitualmente, o projeto reafirma o olhar de Luíza sobre a arte como um processo de transformar a experiência de estar viva em atos simbólicos e poéticos que ajudam a melhor compreender seus mistérios. Com direção de arte de Giulia Barbero, identidade visual de Beatriz Sallowicz e direção audiovisual de Gabriela Boeri, “Sonhos” propõe a escuta como ritual, uma entrega à intuição, às imagens e às vozes que habitam o inconsciente.

“Esse disco nasceu do desejo de transformar em música um processo de 4 anos vivendo em São Paulo, estudando música, trabalhando minha voz, e me conectando profundamente com meus sonhos e minha espiritualidade. Sonhos é uma travessia entre mundos, o visível e o invisível, a vigília e o sonho, onde a música é ponte e portal. Cada faixa é uma paisagem sonora com texturas, imagens, sons e símbolos, como quando sonhamos. Esse é o primeiro álbum em que escrevi arranjos, tanto vocais, quanto para sopros e para cordas; em que convidei produtores diferentes para as faixas; em que gravei uma música não autoral; e em que expandi as possibilidades da minha voz. Eu vejo o sonho como o brilho do mundo – sonhar dá esperança, mantém a gente com entusiasmo, é combustível de vida, e esse álbum representa tudo isso pra mim”, comenta Luíza.

Gravado entre São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Aracruz (ES), o disco é o resultado de um processo colaborativo e sensível que reflete a amplitude artística de Luíza Boê. O trabalho reúne arranjos que cruzam camadas de MPB, música contemporânea, cultura popular, ancestralidade e experimentação. As faixas foram conduzidas por 8 produtores diferentes, revelando novas texturas e perspectivas sobre o universo sonoro da artista.

Entre os destaques das 13 faixas, estão “TSUNAMI”, como faixa foco, “SAUDADE NÃO ENVELHECE”, parceria com Marcelo Jeneci, e “MEU MAR”, com Jaques Morelenbaum e “LIMBO”, com participação do cantor Joaquim. O disco ainda conta com a força ritualística da faixa “SONHAR FLORESTA / KA’AGWY PORÔ, gravada em colaboração com o Coral Indígena Guarani Tape Retxakã, e com canção “NADA DE EXTRAORDINÁRIO”, que traz uma atmosfera setentista produzida por Gustavo Ruiz, para exaltar a beleza das coisas ordinárias..

A mixagem é de João Milliet e a masterização é, de Carlos Freitas (Classic Master).

O álbum reúne oito produtores de diferentes origens e estilos, Luíza Boê (MG/ES), Charles Tixier (França), Fábio Carvalho (ES), Fernando Catatau (CE), Gustavo Ruiz (SP), Lucas Martins (SP), Marcelo Jeneci (SP) e Pedro Carboni (SP), criando um mosaico sonoro que traduz a multiplicidade dos estados de sonho. As mixagens com toques de lo-fi são de João Milliet, a masterização de Carlos Freitas (Classic Master) e a distribuição é feita pela The Orchard, com selo ALÁ e edição Warner Chappell. O resultado é um trabalho minucioso e poético, em que a técnica e a emoção coexistem em plena harmonia.

Foto: Elisa Maciel

Faixa a Faixa

1 - NADA EXTRAORDINÁRIO

A artista celebra a beleza sutil do cotidiano em “Nada de extraordinário”. A canção nasceu da percepção de que a feliz busca pelo extraordinário pode nos cegar para a poesia que habita os dias comuns. Com um refrão mantra de contentamento, “nada extraordinário hoje”, a faixa convida o ouvinte a encontrar a beleza no ordinário. Produzida por Gustavo Ruiz, que captou perfeitamente sua essência melancólica e serena, a música ganhou arranjos que superaram a imaginação inicial, se tornando um lembrete musicalmente delicado de que a vida, em sua simplicidade, já é boa como é.

2 - SAUDADE NÃO ENVELHECE (PART. MARCELO JENECI)

Numa ambiência de sanfona e synth bass, Luiza oferece ao mundo uma canção-canal, nascida da dor que moldou sua vida, a partida de seu pai quando ela tinha apenas onze anos. A música irrompeu completa em um momento de profunda conexão espiritual, como um amparo para as perguntas não feitas e as palavras não ditas de uma criança. Mais do que uma composição, é um testemunho de que a saudade não se supera, mas se habita, uma sabedoria que se instala no corpo e no tempo. Com uma amorosidade que acolhe a própria dor, a faixa se torna um abraço sonoro para que todos possam dedicar às suas próprias e grandes saudades.

3 - ESTRELAS

“ESTRELAS” vem como uma canção sobre o amor em sua forma mais humana e corajosa. A faixa simboliza a ponte entre o disco anterior, Amanheci, e essa nova fase da artista, explorando o mistério dos relacionamentos e o ato de se vulnerabilizar diante da intimidade. Com delicadeza e profundidade, Luíza reflete sobre o desaprender de antigos padrões e o mergulho no amor como prática e escolha, um convite para viver o afeto de forma consciente, livre e transformadora.

4 - TSUNAMI

“TSUNAMI” é uma música sobre um coração partido e também é faixa-foco do disco. É uma faixa representativa, que explora essa experiência com imagens poéticas e visuais, como a de uma onda gigante rompendo muralhas invisíveis erguidas para se proteger de sentimentos e memórias. Inspirada tanto em relatos de outras pessoas quanto em experiências pessoais de saudade e afastamento, a música transmite a intensidade do desejo de conexão e da força emocional necessária para romper barreiras afetivas. Produzida por Catatau, a faixa preserva uma crueza deliberada na gravação de voz e violão, complementada por arranjos de quarteto de cordas assinados por Pedro e executados por William e Stephanie Doyle, criando uma sonoridade intensa, delicada e carregada de magia, que traduz a emoção e a profundidade do momento vivido.

5 - LIMBO (PART. JOAQUIM)

“LIMBO” marca um momento singular na trajetória da cantora, é a primeira música não autoral de seu repertório gravado. A composição de Luca Frazão, seu professor de violão, a conquistou de imediato, mas o destino reservava uma surpresa. Quando os recursos se esgotaram, o universo musical respondeu através de um story do cantor Joaquim, cuja interpretação ao piano foi tão comovente que selou uma parceria natural. Gravada por último, mas com a sincronia de quem completa um ciclo, a faixa emerge como uma das jóias mais preciosas do álbum - onde a verdade da narrativa se entrelaça com a entrega visceral de dois artistas que transformaram o acaso em poesia.

6 - MEU MAR (PART. JAQUES MORELENBAUM)

“MEU MAR” é uma poderosa ode ao recomeço que convida o ouvinte a entregar suas dores e lutos às marés. Luiza tece uma narrativa sonora sobre a importância de atravessar a tristeza com integridade, mas também sobre o momento crucial de liberá-la. Curiosamente, esta canção encontra sua gênese em "Tsunami", que, composta posteriormente, revelou-se a origem prévia desta história. Enquanto "Tsunami" representa a força arrasadora da dor, "Meu Mar" é o fechamento do ciclo, o instante transcendente em que se decide seguir em frente, banhado pelas águas purificadoras do renascimento.

7 - OUVI NUM SONHO (O TEMPO)

“OUVI NUM SONHO (O TEMPO)” se materializa como uma dádiva direta do inconsciente, capturada em um estado liminar entre o repouso e a criação. A canção nasceu completa em um sonho vívido onde a artista, ao discutir sobre crescimento pessoal com uma amiga, recebeu a revelação musical através de uma aparição de Julia Mestre no alto da Pedra da Gávea, tocando um tambor, cantando “Tem gente que não quer crescer // Que tem medo do que pode encontrar // E assim se esquece das suas forças // E não chega onde que tem que chegar”. Com alquimia percussiva de Igor Caracas, que extraiu sons poéticos de uma caixa de fósforos, um piso com uma vassourinha, e um tambor grave, a faixa preserva a pureza de sua mensagem onírica. É um lembrete sutil sobre as forças que descobrimos quando ousamos crescer.

8 - BALANÇO NA LUA

“BALANÇO NA LUA” reflete o amor em sua forma mais ampla, o amor pela vida, pela existência e pela coragem de ser feliz. A canção nasceu de uma compreensão profunda sobre o medo de se abrir para o afeto e para a própria felicidade.Produzida por Lucas Martins, que também assina todos os instrumentos, a faixa apresenta uma sonoridade que envolve, com ritmo e leveza, que traduz a entrega ao amor divino que inspira sua criação.

9 - MOQUECA CAPIXABA / CONGO PARA SÃO BENEDITO

Em "MOQUECA CAPIXABA / CONGO PARA SÃO BENEDITO", Luiza cria uma música que é uma celebração da cultura do Espírito Santo em formato de receita. Inspirada por canções que ensinam a fazer tais preparos, ela detalha como se faz uma moqueca, destacando as heranças indígenas da prato, como o uso da panela de barro e do urucum. A canção ganha o ritmo do Congo, manifestação cultural capixaba, com a colaboração do percussionista Fábio Carvalho, que incorpora instrumentos tradicionais e uma toada para São Benedito, o santo padroeiro dos cozinheiros e da festividade do Espírito Santo. A proposta é que, ao aprender a cantar, você aprenda a fazer a autêntica moqueca capixaba em casa. ‘É uma comida que faz parte da minha vida, faz parte da cultura do meu estado”, completa a cantora.

10 - MEU GRANDE AMOR

“MEU GRANDE AMOR” é uma faixa dançante e pop, que celebra o amor próprio como base de todos os relacionamentos. Também inspirada em um sonho, a música reforça a ideia de que o maior amor é o que sentimos por nós mesmos, e que quem chega em nossas vidas deve se somar a esse amor. A faixa combina ritmos e convida a celebrar a própria existência.

11 - TU SOL

“TU SOL” é uma faixa apaixonada, inspirada no companheiro Pedro. A música reflete a segurança, o afeto e a aceitação que transforma dores e antigos padrões em leveza e tranquilidade. A canção transmite a sensação de acolhimento, iluminada pelo amor, convidando a vivenciar essa experiência de calor, proteção e conexão emocional.

12 - SONHAR FLORESTA

A música “SONHAR FLORESTA” é a mais política já escrita pela artista, nascida de sua experiência anterior com o trabalho na área de direitos humanos e da inspiração em autores indígenas e quilombolas. A letra aborda a ideia central de que é preciso “sonhar a floresta", ou seja, ampliar nossa consciência para além do indivíduo e enxergar o planeta como um todo, para evitar um colapso ambiental. Para aumentar a força desta mensagem, a canção conta com a participação do Coral Guarani Tape Retxakã, que gravou seus vocais em guarani dentro da casa de rezo da aldeia, tornando a música um sonho coletivo e urgente pela preservação da floresta.

13 - MANHÃ

"Manhã" surge como o epílogo perfeito para a jornada do álbum, nascida de um momento espontâneo de criação onde harmonia, melodia e letra se entrelaçaram num só suspiro. A canção representa a doce preguiça de um amanhecer compartilhado, a intimidade minimalista de dois corpos que desejam apenas existir em sintonia enquanto o mundo passa. Como ela mesma intuiu desde o início, esta é a faixa que encerra o ciclo, se o disco é um grande sonho, "Manhã" representa o despertar na realidade mais preciosa, a de viver, consciente e plenamente, ao lado de quem se ama.

Sobre Luíza Boê
Cantora e compositora capixaba, Luíza Boê canta como quem investiga a vida: os amores, as dores, as mortes e os recomeços são matéria-prima de suas composições, que têm influência da poesia, da espiritualidade, da música popular brasileira e da cultura popular. Acredita no poder de cura e de criação das palavras e, por isso, vê na composição uma força de transformação individual e coletiva. Em 2017, lançou seu primeiro single, Cocoon, e participou da 2a temporada do programa Lounge, no Canal BIS. Em 2018, lançou seu primeiro disco autoral, produzido por Hugo Noguchi e despontou como um dos expoentes da nova MPB. Em 2019, lançou o EP Terramar, com produção de Kassin e participação de alguns dos maiores instrumentistas do país. Em 2021, lançou seu segundo disco, Amanheci, também produzido por Kassin. Todos os lançamentos receberam destaque nas plataformas digitais, fazendo com que a artista fosse duas vezes capa da playlist Novo Som, do Spotify, e Cocoon esteve entre as 50 mais virais, além de ter sido incluída na trilha sonorada série estadunidense Resident Alien, do SYFY. Em 2022, fez shows de lançamento de Amanheci e foi aprovada em primeiro lugar no Edital de Circulação Nacional de Shows da Secult, ES – os shows no CCSP, no Sesi Rio Vermelho e no Teatro da Ufes aconteceram em maio de 2023. A artista está gravando seu terceiro álbum de estúdio, Sonhos, com produções de Gustavo Ruiz, Fernando Catatau, parceria com Jaques Morelenbaum, Marcelo Jeneci, entre outros.

Ficha Técnica Resumida
Álbum: Sonhos
Artista: Luíza Boê
Lançamento: 31 de outubro de 2025
Selo: ALÁ
Distribuição: The Orchard
Editora: Warner Chappell
Produção musical: Luíza Boê, Charles Tixier, Fábio Carvalho, Fernando Catatau, Gustavo Ruiz, Lucas Martins, Marcelo Jeneci e Pedro Carboni
Mixagem: João Milliet
Masterização: Carlos Freitas (Classic Master)
Engenharia de gravação: Pedro Carboni e colaboradores
Direção de arte: Giulia Barbero
Identidade visual: Beatriz Sallowicz
Fotografia: Elisa Maciel
Direção audiovisual: Gabriela Boeri

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