Depois de anos experimentando caminhos distintos na música, Lucca Perez vive um momento de virada. Aos 25 anos, o cantor e ator lança Alter Ego, seu primeiro EP, e o define como o projeto em que, finalmente, sente que suas músicas têm a própria cara. “Agora eu sinto que estou lançando as músicas realmente com a minha cara, sabe?”, afirma. A estreia marca não só um novo capítulo artístico, mas também um reencontro pessoal, refletido em faixas que atravessam as diferentes fases de um ciclo afetivo.
Apesar de já ter lançado singles desde 2018, Lucca explica que o EP surgiu quase por acaso. A ideia inicial era lançar apenas mais uma música, mas tudo mudou dentro do estúdio. “Esse EP foi decidido em cima da hora. A minha ideia era lançar um single de novo, mas conversando com o meu produtor, a gente pensou: ‘e se a gente escrevesse mais algumas e lançasse um EP?’”, relembra. No processo de composição, no entanto, ficou claro que aquelas canções carregavam algo diferente — uma sonoridade e uma intenção que ele vinha buscando há anos.
Fortemente influenciado pelo pop internacional, Lucca assume referências como Justin Bieber, Shawn Mendes e Ed Sheeran, mas faz questão de traduzir esse universo para a própria realidade. “Eu escuto muito pop americano, então minhas maiores referências vêm de lá. O desafio era trazer essa sonoridade gringa, mas com a nossa língua e com elementos da música brasileira”, explica. O resultado é um EP que transita entre faixas mais intimistas, guiadas por piano, e outras que incorporam batidas e referências nacionais, criando um equilíbrio entre o pop melódico e a brasilidade.
Esse amadurecimento também passa pela decisão de se afastar de estilos que já não o representavam. O trap, presente no início da carreira, foi importante como experimentação, mas não como identidade. “Eu fiz por diversão, porque gostava, e o trap estava muito em alta na época. Mas depois eu fui amadurecendo e vi que não conversava com quem eu sou”, conta. No pop confessional, tudo passou a soar mais natural — da escrita à produção. “Quando eu vi tudo pronto, eu falei: era isso. Esse era o produto final que eu queria.”
O título Alter Ego nasceu da coincidência entre o processo criativo e uma série sobre personalidades múltiplas que Lucca assistia na época. A ideia rapidamente ganhou sentido. “Cada música representa uma fase real da minha vida. Em cada uma delas, eu era um Lucca diferente”, explica. As faixas percorrem desde o fim de um relacionamento, passando pelas recaídas e pelo desejo de seguir em frente, até o momento de reencontro consigo mesmo. Para o artista, todos carregam essas “máscaras”, que mudam conforme o contexto e as emoções.
Entre as músicas, Quero Ser Melhor ocupa um lugar especial. Escrita antes mesmo da concepção do EP, a faixa nasceu como um desabafo, mas acabou se tornando essencial para a narrativa do projeto. “Quando eu ouvi todas as músicas do EP, senti que faltava algo. E aí percebi que Quero Ser Melhor completava a história”, afirma. Para Lucca, sem ela, o disco perderia um ponto importante da jornada emocional que ele queria contar.
Já Vai e Volta, escolhida para ser lançada antes do EP e ganhar um videoclipe, funciona como a porta de entrada desse novo momento. Curta, direta e com um refrão forte, a faixa foi pensada como um spoiler do que estava por vir. “Eu achei que ela era ideal para abrir esse capítulo, tanto por ser a mais curta quanto por ter um refrão que a galera pega rápido”, explica.
Com Alter Ego, Lucca também percebe uma mudança clara na relação com o público. Se antes sua base vinha dos covers, do teatro e dos conteúdos nas redes, agora ele sente que o EP consolida sua identidade como cantor. “Eu acho que a galera não sabia muito o que esperar de mim, porque cada lançamento era de um estilo diferente. Agora, com esse EP, eu consigo me consolidar melhor como o cantor que eu quero que eles saibam que eu sou.”
Olhando para frente, o artista vê Alter Ego não como um ponto final, mas como um começo bem direcionado. A ideia é seguir explorando o pop, mantendo a mistura entre referências internacionais e elementos brasileiros, sempre aberto a novas experimentações. “Eu quero que alguém escute uma música e fale: ‘isso é do Lucca’. Esse EP é o começo dessa fase”, resume.

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