A TEIMA faz jus ao nome. O grupo surgiu depois de anos de ideias guardadas, dúvidas, insistência e muita conversa que poderia ter derrubado o projeto, mas acabou fortalecendo cada integrante.
Em entrevista à ASetlist, Edu (baixo), Isa (vocais), Sandro (guitarra) e Mike (bateria) abriram o jogo sobre o início da banda, o EP recém-lançado e o processo criativo que mistura humor, caos, sensibilidade e gerações diferentes do rock.
“A TEIMA é uma teima. A gente tentou por muito tempo fazer rolar e ganhamos na insistência.” — Edu
A história do EP começa na pandemia. Reclusão total, nada de shows, nada de futuro claro. Edu conta que foi “obrigado” por um amigo a voltar a compor:
“O Igor da Rocambole falou: ‘Por que você não monta uma banda de novo? Compõe aí.’
Eu pensei: como que vou montar uma banda no meio da pandemia? Mas sentei todo dia pra compor alguma coisa.”
Enquanto isso, Isa estava grávida (“Eu tava prenha mesmo”, ela brinca), e Sandro era o confidente de todas as lamúrias musicais daquele período:
“O Sandro escutou toda a chateação. A gente ficava se perguntando o que seria da música depois da pandemia.”
Do caos ao encontro
Formar a banda, porém, não foi simples. Cada um tinha projetos paralelos, horários conflitantes e opiniões fortes.
Mesmo assim, quando tocavam juntos, tudo fazia sentido:
“Quando a gente toca e se entende no som, aí o negócio é diferente.”
“A gente brigou depois que virou banda, e isso até fortaleceu a amizade.” — Isa
Isa descreve esse processo como algo bonito, um aprendizado sobre criar junto:
“Tem dúvida, tem frio na barriga, tem discussão. Mas isso cria casca.
A gente se conhece há anos, sempre fomos amigos. A banda só fez a gente crescer e se abraçar depois.”
O EP e suas identidades múltiplas
A TEIMA não se prendeu a um molde. Cada faixa surgiu num momento diferente, com vibrações distintas — e eles abraçaram totalmente essa diversidade:
“A gente não tem controle nenhum. O que saiu, saiu.” — Sandro
Edu explica:
“Se a gente pegasse cada música e fizesse um álbum só com ela como tema, daria cinco álbuns completamente diferentes.”
A principal faixa, Tão Tarde, é citada como uma das que mais fluíram no coletivo:
“A letra mudou várias vezes até fechar o conceito.” — Isa
Já Refrigerador nasceu com humor involuntário:
“É zoeira pra vocês.
Pra mim faz todo sentido.” — Isa
“É irônica, mas a letra é séria. Tem metáfora ali, e das boas.”
Influências? Muitas — e de todas as gerações.
“A gente gosta de Chico Buarque e de Sepultura.
Não tem estudo de influências. Todo mundo traz o que viveu.” — Isa
Isa ressalta o impacto geracional:
“Somos três gerações. Cada um viveu um momento diferente do rock. Isso já cria um blend natural.”
E Edu completa:
“O principal é nunca dizer não.
No mínimo: vamos tentar?”

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