Avenged Sevenfold e a narrativa do show: o que a escolha das músicas revela sobre a banda hoje

 

A possível escolha de repertório do Avenged Sevenfold para o show no Allianz Parque revela muito mais do que uma sequência de hits. O set constrói uma narrativa clara: a banda não está interessada apenas em agradar pela nostalgia, mas em apresentar quem ela é agora, sem romper com o passado.


Abrir com “Game Over” já indica essa intenção. A faixa funciona como uma porta de entrada direta para a fase mais recente da banda, densa, acelerada e conceitual, preparando o terreno para um show que exige atenção. Em seguida, “Chapter Four” faz a ponte com os primórdios, resgatando a identidade mais agressiva e crua que marcou o início da relação com o público brasileiro.


A sequência com “Afterlife” e “Hail to the King” reforça o lado mais grandioso do Avenged Sevenfold. São músicas pensadas para arenas, com refrões que transformam o público em parte ativa do espetáculo. “Buried Alive”, logo depois, quebra essa linearidade ao alternar tensão e explosão, lembrando que a banda sempre soube trabalhar dinâmica e contraste ao vivo.


Quando “The Stage” entra no set, o show assume um tom mais reflexivo e progressivo. É um momento em que a banda desacelera o impacto imediato para propor uma experiência mais imersiva — algo que se repete com “Nobody”, representante direta da fase atual, minimalista, atmosférica e provocadora.


O bloco emocional do show se consolida com “So Far Away”, uma escolha que vai além da música em si. Ao vivo, ela costuma funcionar como um espaço de memória coletiva, silêncio respeitoso e conexão profunda entre banda e plateia. Logo depois, “Nightmare” devolve a energia ao nível máximo, mantendo o equilíbrio entre peso e acessibilidade.


Na reta final, o Avenged Sevenfold aposta em um trio que dispensa apresentações: “Bat Country”, “Unholy Confessions” e “A Little Piece of Heaven”. São músicas que atravessaram gerações, criaram identidade e seguem funcionando como pontos altos do show. Entre elas, “Cosmic” surge como um respiro moderno, emocional e quase contemplativo, mostrando como a banda consegue inserir material recente sem quebrar a fluidez do set.


O resultado é um repertório que não escolhe um único Avenged Sevenfold para representar. Ele abraça fases, contradições e transformações. Para quem acompanha setlists, turnês e escolhas ao longo dos anos, fica claro: o show não é um resumo da carreira, mas um retrato honesto do momento atual com respeito absoluto à história construída até aqui.


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