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Coisas Naturais invadiram o Rock in Rio

No último dia de festival, Marina Sena levou o universo de “Coisas Naturais” ao Palco Sunset em uma apresentação marcada por referências às suas raízes, performance e muita energia

Créditos: MORIVA / @VICTORCARVALHO

“Eu trouxe o Norte de Minas para o Rock in Rio." Foi assim que Marina Sena resumiu, em entrevista após sua apresentação, o que levou para o Palco Sunset no último dia de festival. E, de fato, era impossível separar Marina de suas raízes durante o espetáculo.

Nascida em Taiobeiras, no Norte de Minas Gerais, a cantora construiu em “Coisas Naturais” um trabalho profundamente conectado à região onde cresceu. A própria Marina já contou que o Norte de Minas foi uma das principais inspirações para o álbum, que reúne diferentes sonoridades e referências culturais que atravessaram sua formação. No Rock in Rio, tudo isso ganhou corpo, movimento e imagem.

Antes mesmo da primeira música, o público já gritava por Marina. Ansiosos pela apresentação, os fãs receberam a cantora com uma energia que cresceu durante toda a noite.

Diferente de outras apresentações da turnê “Coisas Naturais”, Marina surgiu vestida de branco, com um acessório de cabeça e um pedestal completamente diferentes dos elementos já conhecidos do espetáculo. Em meio às danças, abriu o show com “Numa Ilha”, dando início a uma apresentação que parecia acontecer dentro de seu próprio universo.

Na sequência, “Coisas Naturais” reforçou a identidade da era. Mais do que apresentar as músicas, Marina constrói no palco um espetáculo em que figurinos, objetos, coreografias, projeções e câmeras fazem parte da narrativa.

Depois, a cantora retirou o acessório de cabeça e seguiu para “Doçura”, que contou com a presença de Luis Angel, integrante da banda Çantamarta e parceiro de Marina na faixa. Os dois dividiram o palco em uma dança completamente imersa na atmosfera da música.

O show continuou com “Taiobeiras”, faixa inédita criada especialmente para uma colaboração com a Bershka. Sentada em um banco e mantendo a estética apresentada no restante da apresentação, Marina levou ao Rock in Rio uma música que carrega no próprio nome a cidade onde nasceu.

E talvez seja justamente aí que a fala de Marina após o show faça ainda mais sentido. O Norte de Minas não apareceu apenas como uma referência. Ele estava nos sons, nos movimentos, nas imagens e na forma como a cantora ocupava o palco.

Marina transforma música em performance

Em “Carta de Maria”, música de Rubel que também ganhou uma parceria com Marina, a cantora levou a apresentação para outro lugar. Deitada com um boneco de pano, Marina passou a interagir com o personagem. Dançou com ele, o carregou e, posteriormente, o arrastou pelo chão.

A relação continuou em “Ouro de Tolo”. Marina passou a encenar como se estivesse cantando diretamente para o boneco, alternando entre abraços e momentos de confronto. A performance acompanhou a intensidade da música até o final. Em uma explosão de raiva, Marina rasgou o boneco e retirou diversas fitas de tecido de dentro dele. Era uma característica que atravessou toda a apresentação: Marina não apenas cantava suas músicas, mas transformava suas narrativas em cenas.

Depois da tensão de “Ouro de Tolo”, Céu apareceu sozinha no palco para cantar “Varanda Suspensa”. Marina voltou em seguida, com um novo figurino, dessa vez com penas, para dividir com ela “Malemolência”. O encontro entre as duas artistas foi um dos momentos mais especiais da apresentação.

“Por Supuesto” faz a Cidade do Rock cantar

Marina então voltou para o repertório de De Primeira com “Por Supuesto”, faixa que recentemente completou cinco anos de lançamento e que marcou o início de uma nova fase em sua carreira. A resposta do público foi imediata. Marina desceu em direção à plateia enquanto milhares de pessoas cantavam junto com ela. O refrão “Meu sonho feliz era chegar e já cair no mar” tomou conta da Cidade do Rock. 

Em seguida, vieram “Voltei Pra Mim” e “Mágico”. Em “Mágico”, a apresentação ganhou um momento mais íntimo. A música, marcada por um olhar para dentro e pela busca por autoconhecimento e leveza, foi cantada em coro pelo público, criando uma conexão direta entre Marina e os fãs.

Já em “Lua Cheia”, um novo figurino apareceu acompanhado por bailarinos mascarados. Marina caminhou entre eles, interagindo com o grupo, até que o balé ganhou ainda mais força no final da música. “CARNAVAL” manteve a energia lá em cima. 

O Norte de Minas no centro do palco

Para fechar a apresentação, Marina voltou para “Desmitificar”.

O instrumental conversava com a atmosfera apresentada anteriormente em “Taiobeiras”, enquanto o balé acompanhava a cantora em mais uma mudança de pedestal. Marina então quebrou o objeto no palco. Atrás dela, um boneco como uma espécie de "monstro" , aumentando o impacto visual da cena. A cantora encerrou a música em um dos momentos mais energéticos do show.

Quando a apresentação terminou, a resposta veio em coro: “Marina! Marina! Marina!”

Durante pouco mais de uma hora, Marina Sena transformou o Palco Sunset em extensão de seu próprio universo. Um universo que mistura pop, referências brasileiras, dança, performance, elementos visuais e, acima de tudo, suas raízes.

Ela mesma definiu o que estava fazendo naquela noite: trazendo o Norte de Minas para o Rock in Rio. E foi exatamente isso que o público viu. Taiobeiras estava ali. O Norte de Minas estava ali.

Créditos: MORIVA / @VICTORCARVALHO

Marina Sena sempre soube que seria famosa. E talvez seja justamente por isso que, a cada novo palco, ela pareça ocupar um espaço que sempre foi seu. No Rock in Rio, ficou mais uma vez evidente: Marina é, de fato, um fenômeno natural.

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