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Lola Young chega ao Rock in Rio sem filtros e mostra por que seu nome já não é promessa

Em sua estreia no Brasil, cantora britânica equilibrou vulnerabilidade, ironia e força em um show que colocou sua personalidade no centro

Créditos: MORIVA / @DIEGOPADILHA

Lola Young chegou ao Rock in Rio em um daqueles momentos que mudam a escala de uma carreira. Aos 25 anos, a cantora britânica já não carrega apenas a expectativa de ser uma das novas vozes do pop internacional. Depois de vencer seu primeiro Grammy por “Messy”, ela desembarcou no Brasil para sua estreia no país como uma artista que já encontrou uma assinatura própria, ainda que continue em pleno processo de descoberta. No Palco Mundo, essa personalidade apareceu antes mesmo de qualquer tentativa de transformar o show em uma superprodução.

Sua música não cabe facilmente em uma única gaveta. Indie, hip-hop, art-pop, grunge e soul aparecem em diferentes proporções, enquanto as letras transitam por relacionamentos, inseguranças, saúde mental, desejo e as contradições de crescer sob os olhos de outras pessoas. O próprio Rock in Rio apresenta Lola como uma artista marcada por essa mistura e pela capacidade de transformar experiências pessoais em canções que soam ao mesmo tempo confessionais e pop.


O repertório escolhido para o festival percorreu principalmente os trabalhos mais recentes. “SAD SOB STORY! :)”, “d£aler”, “One Thing”, “Conceited”, “Big Brown Eyes”, “Penny Out of Nothing”, “Post Sex Clarity”, “SPIDERS” e “Not Like That Anymore” apareceram entre as músicas que vêm formando a atual turnê, ao lado de “Messy”, inevitável depois de ter levado Lola ao Grammy. A estrutura também mostra que a cantora não chegou ao festival para ser apenas a dona de um viral: há um catálogo sendo construído ao redor daquele sucesso.


E “Messy” é justamente um bom exemplo disso. A música ganhou uma proporção gigantesca ao falar de uma experiência bastante simples: a sensação de não conseguir corresponder àquilo que os outros esperam de você. O refrão transformou uma confissão em hit, mas a carreira de Lola não termina ali. Antes e depois dele existe uma artista interessada em mostrar suas contradições, inclusive quando elas não são particularmente bonitas ou convenientes.

Essa talvez seja a característica mais interessante de sua presença no palco. Lola não parece interessada em construir uma persona perfeitamente calculada. Há humor, desconforto, sensualidade, vulnerabilidade e uma dose considerável de irreverência convivendo no mesmo espaço. A imagem de uma jovem estrela pop impecável dá lugar a alguém que parece muito mais preocupada em comunicar o que tem para dizer do que em parecer sempre segura enquanto diz.


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