Em um show guiado pelo pop, pelos grandes hits e pela participação de Pabllo Vittar, cantora apresentou a fase mais solar de sua carreira recente
Demi Lovato subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio neste sábado (12) em um momento particularmente simbólico de sua trajetória. Depois de uma fase marcada pela intensidade sonora de Holy Fvck, em que revisitou o rock e o pop-punk que também fizeram parte de sua formação, a cantora voltou a colocar o pop dançante no centro de sua música com It’s Not That Deep, álbum lançado em 2025 e que batiza sua atual turnê. No festival, essa mudança apareceu menos como uma ruptura e mais como a imagem de uma artista que finalmente parece confortável em não precisar provar nada a ninguém.
ELA CHEGOUUU E O ROCK IN RIO CANTA FAST COM ELA!!!#DemiLovatoNoMultishow #RockinRioNoMultishow pic.twitter.com/iDNu7xsPw1
— Multishow (@multishow) September 13, 2026
A apresentação foi construída para esse novo momento. “Fast”, “Kiss” e “Frequency” abriram espaço para as músicas mais recentes, antes de Demi atravessar diferentes capítulos de sua carreira com “Heart Attack”, “Confident”, “Skyscraper”, “Give Your Heart a Break”, “Sorry Not Sorry” e “Cool for the Summer”. O repertório da It’s Not That Deep Tour já vinha combinando as novas faixas com sucessos de diferentes períodos, e o formato do Rock in Rio preservou justamente essa capacidade de conversar com quem chegou pelos hits e com quem acompanha as mudanças de sua trajetória.
quando a demi lovato inventou a maior ponte de todos os tempos em give your heart a break#DemiLovatoNoMultishow #RockinRioNoMultishow pic.twitter.com/no1gzTDQem
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Mas o que mais chama atenção nesta passagem pelo Brasil é a atmosfera. A Demi que apareceu no Rock in Rio está distante da urgência que marcou a divulgação de Holy Fvck. Há mais espaço para dança, sensualidade, diversão e para uma relação menos defensiva com o próprio repertório. A própria concepção de It’s Not That Deep aponta para uma estética mais leve e vibrante, com dance-pop e eletropop ocupando o lugar central, uma escolha que também se reflete na atual turnê.
E o Rock in Rio ganhou ainda um elemento brasileiro para completar essa celebração. Pabllo Vittar apareceu como convidada especial, em um encontro que havia sido ensaiado antes da apresentação e que levou ao palco uma das maiores representantes brasileiras do pop contemporâneo. A participação ajudou a aproximar ainda mais a apresentação do espírito de uma grande noite pop, criando um daqueles momentos de festival que funcionam tanto para quem já conhece a história das duas artistas quanto para quem estava simplesmente ali para assistir ao encontro.
O repertório também mostrou por que Demi Lovato continua tendo uma relação tão particular com o público brasileiro. “Heart Attack” e “Confident” carregam a força de uma fase em que sua voz e sua presença foram associadas a grandes refrões pop. Do outro lado, “Here All Night”, “Joshua Tree” e as faixas de It’s Not That Deep apontam para uma artista que não está tentando reproduzir a própria adolescência, mas encontrar prazer em uma etapa diferente da carreira.
que pov é esse da demi lovato sendo simplesmente LEOA #DemiLovatoNoGloboplay #RockInRioNoGloboplay pic.twitter.com/FwjccMR6uM
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Essa talvez seja a maior força da apresentação. Demi não precisou escolher entre a cantora que cresceu diante de milhões de pessoas e a mulher que chegou a 2026 com outra relação com sua música e consigo mesma. O show costura essas versões sem transformar nenhuma delas em caricatura. “Cool for the Summer”, que encerra a apresentação na estrutura atual da turnê, funciona quase como uma síntese: um hit que atravessou anos e continua pertencendo ao presente, agora dentro de um espetáculo que olha mais para a celebração do que para a superação.
A PABLLO VITTAR VEIO EM COOL FOR THE SUMMER!!!!#DemiLovatoNoMultishow #RockinRioNoMultishow pic.twitter.com/pZ4um2sNgq
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Para quem acompanha Demi Lovato há muitos anos, porém, existe uma camada que nenhuma setlist consegue explicar completamente. Pessoalmente, é muito bom vê-la bem, feliz e realizada, tanto profissional quanto pessoalmente. Existe algo genuinamente reconfortante em assistir a uma artista que atravessou períodos tão difíceis chegar ao palco com essa leveza, sem que sua história precise desaparecer para que ela possa viver um momento feliz.


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