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Maroon 5 lembra por que seus hits continuam morando na memória de tanta gente

Com Adam Levine à frente, banda revisita sucessos de diferentes fases da carreira e transforma o Palco Mundo em um grande karaokê

Créditos: @bootswallace

Existe um tipo muito particular de show que acontece quando uma banda faz parte da trilha sonora da vida de quem está na plateia. Você pode não ouvir aquele disco há anos, pode ter seguido para outros artistas, gêneros e fases, mas basta uma introdução de poucos segundos para lembrar exatamente onde estava quando aquela música apareceu pela primeira vez. Foi nesse território de memória afetiva que o Maroon 5 encontrou o público do Rock in Rio na noite deste sábado (12).

Fechando a programação do Palco Mundo, a banda comandada por Adam Levine não tentou reinventar a própria história. E talvez nem precisasse. O repertório percorreu diferentes momentos da carreira, começando por “Harder to Breathe”, passando por “This Love”, “Animals”, “One More Night”, “Sunday Morning”, “Memories”, “She Will Be Loved”, “Maps”, “What Lovers Do”, “Girls Like You” e chegando a “Moves Like Jagger”.

É uma fórmula conhecida, mas há uma diferença importante entre repetir uma fórmula e saber por que ela funciona. O Maroon 5 tem um catálogo particularmente eficiente para grandes festivais porque suas músicas são reconhecíveis quase imediatamente. Não dependem de uma longa introdução ou de uma produção complexa para provocar reação. Em vários momentos, Adam simplesmente deixa a plateia assumir o refrão, e o resultado é aquele tipo de coro coletivo que transforma um show pop em uma experiência compartilhada.

E Adam Levine continua sendo uma peça fundamental dessa engrenagem. Aos 47 anos, o vocalista ainda entende muito bem o papel que ocupa no palco: provoca, dança, brinca com o público, circula pela passarela e, claro, sabe exatamente quando tirar a camisa. A cena já virou parte quase inevitável do imaginário de um show do Maroon 5, mas o que sustenta a apresentação não é a estética de frontman pop. É a capacidade de Levine de conduzir uma multidão sem deixar que as músicas percam protagonismo.

Há também uma questão interessante na trajetória do grupo. O Maroon 5 começou muito mais próximo do rock alternativo e do pop rock, especialmente em Songs About Jane, e aos poucos incorporou R&B, soul, dance-pop e elementos eletrônicos. Essa transformação ampliou enormemente o alcance da banda, mas também fez com que parte de sua identidade original ficasse menos evidente. No Rock in Rio, porém, essa discussão parecia menos importante do que o fato de que as diferentes versões do Maroon 5 continuam coexistindo no mesmo repertório.

Créditos: @bootswallace

E talvez seja impossível falar da banda no Brasil sem lembrar da relação particular construída com o público daqui. O grupo já havia passado pelo Rock in Rio em outras edições e, em 2017, chegou a assumir o posto de atração principal em uma noite originalmente associada a Lady Gaga. Anos depois, o cenário mudou, mas a conexão permaneceu. A própria procura pelos ingressos desta edição já dava uma pista do tamanho dessa relação, com as entradas de gramado da data esgotadas rapidamente.

O mais bonito, para quem acompanha a banda há bastante tempo, é perceber como essas músicas mudam de significado conforme quem as escuta também muda. “She Will Be Loved” pode ter sido uma música de adolescência para alguém e, anos depois, aparecer como trilha de uma lembrança completamente diferente. “Memories” já nasceu falando sobre aquilo que permanece depois que as pessoas e os momentos passam. “This Love” continua sendo “This Love”, mas ninguém que a escutou pela primeira vez no começo dos anos 2000 é exatamente a mesma pessoa hoje.

Por isso, talvez seja injusto cobrar do Maroon 5 uma grande reinvenção justamente em uma noite como essa. O Rock in Rio não era o lugar para apresentar uma banda escondida atrás de um novo conceito. Era o lugar para abrir a caixa de memórias e deixar que o público reconhecesse, uma por uma, as músicas que acompanharam diferentes momentos de sua vida.

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