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Zara Larsson mostra no Rock in Rio que ainda há muito mais por trás dos grandes hits

Em retorno ao festival, cantora sueca mistura sucessos, nova fase e muita atitude em um Sunset feito para dançar

Créditos: @zaraacess

Zara Larsson conhece bem a sensação de ter uma música maior do que o próprio nome. “Lush Life”, “Never Forget You” e “Symphony” atravessaram fronteiras, chegaram às rádios, acumularam milhões de reproduções e transformaram a cantora sueca em um dos nomes mais reconhecíveis do pop europeu. Ainda assim, durante boa parte da carreira, Zara precisou lidar com a impressão de que seu tamanho artístico era menor do que o de seus próprios hits. No Rock in Rio, em seu retorno ao festival, ela pareceu muito menos preocupada em provar qualquer coisa.

A cantora encerrou o Palco Sunset neste domingo (13) dentro da era Midnight Sun, seu trabalho mais recente, e encontrou no festival um público pronto para aquilo que ela sabe fazer melhor: pop dançante, refrões fáceis de reconhecer e uma presença de palco que não depende de uma superprodução para funcionar. A apresentação fez parte de uma fase particularmente movimentada da carreira, com Zara passando por diversos festivais internacionais antes de chegar ao Brasil.


O repertório atual deixa clara essa combinação entre passado e presente. “Midnight Sun”, “Can’t Tame Her”, “SHE DID IT AGAIN”, “I Would Like / Sundown”, “Hot & Sexy”, “Wow”, “Ain’t My Fault”, “Pretty Ugly”, “Stateside”, “Never Forget You”, “Blue Moon”, “Lush Life” e “Symphony” vêm aparecendo na atual turnê, costurando músicas novas e sucessos que já fazem parte da memória pop.


E há uma lógica interessante nessa escolha. Zara não trata os hits antigos como peças de museu, mas também não precisa escondê-los para apresentar uma nova versão de si mesma. “Lush Life” continua funcionando porque é uma música pop extremamente eficiente, enquanto “Midnight Sun” mostra uma artista que hoje parece mais interessada em explorar sua sensualidade, sua liberdade e uma sonoridade que conversa diretamente com a pista de dança.


Essa segurança também aparece na forma como ela ocupa o palco. Zara tem uma presença naturalmente pop, mas não excessivamente calculada. Dança, brinca, interage e deixa que o corpo participe da apresentação sem transformar tudo em uma sucessão de coreografias milimetricamente controladas. No Rock in Rio, chegou a arriscar um “quadradinho”, gesto que arrancou reação do público e reforçou uma característica que parece cada vez mais presente em sua relação com o Brasil: ela entende que existe uma linguagem própria para conquistar a plateia daqui.

Entre um hit conhecido, uma música nova, uma dança e outra, Zara mostrou que o pop pode ser leve sem ser descartável e extremamente comercial sem deixar de ter personalidade.

E, se por muito tempo ela teve a sensação de ser subestimada, o Sunset ajudou a responder de uma maneira bem simples: talvez Zara Larsson nunca tenha precisado de mais um grande hit para provar seu tamanho. Precisava apenas de um palco grande o bastante para que todo mundo prestasse atenção.


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