Joji anuncia seu retorno com o álbum Piss In The Wind para 2026. Com ‘amostras grátis’ como PIXELATED KISSES e If It Only Gets Better e Past Won't Leave My Bed, o artista abriu a nova era com um gostinho de quero mais, e deixou um questionamento: as canções com pouco tempo de duração são propositais, ou estaria Joji brincando com a indústria musical?
Com o EP In Tongues — que mais tarde ganhou uma versão deluxe —, Joji apresentou faixas como Will He e worldstar money (interlude), abrindo caminho para seu primeiro álbum de estúdio, BALLADS 1. O disco revelou ao mundo canções marcantes como SLOW DANCING IN THE DARK, TEST DRIVE e YEAH RIGHT. Apesar das críticas mistas, o álbum estreou em #1 na Billboard Top R&B/Hip-Hop Albums, fazendo de Joji ser o primeiro artista asiático a conquistar essa posição.
No fim, o veredito foi unânime: Joji provou ser mais do que uma figura humorística da internet, consolidando-se como um músico autêntico e uma grande promessa para uma indústria musical estagnada.
Um retrato luxuoso da solidão moderna, NECTAR, consolidou o artista à um novo patamar. Com uma sonoridade madura, melódica e uma produção sofisticada, o disco inaugurou uma fase mais pop e cinematográfica em sua trajetória. Canções como Sanctuary, Run e Ew mostraram uma faceta bela, intensa e existencial do artista.
Mantendo-se no topo com SMITHEREENS, Joji acrescentou mudanças significativas nos seus discos. As canções longas, aos poucos tornaram-se minoria no disco, e apesar do sucesso estrondoso de Glimpse Of Us, o cantor desafia a indústria e aos ouvintes com músicas boas – porém com durações extremamente curtas.
Piss In The Wind marca o início de uma nova era para o artista. Com lançamento previsto para fevereiro de 2026, o álbum contará com 21 faixas, entre elas PIXELATED KISSES, recebida de forma extremamente positiva por sua abordagem emocional — uma canção que retrata um amor mediado por telas e refina o estilo característico do artista.
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| Capa do álbum "Piss In The Wind" de Joji. |
Já as outras faixas, If It Only Gets Better, Past Won't Leave My Bed, LOVE YOU LESS e Last of a Dying Breed retoma um elemento que sempre chamou a atenção dos ouvintes: a duração das canções, mostrando que o artista continua explorando formas breves, mas intensas.
Apesar de Joji se destacar por apresentar demos e faixas mais curtas, as canções mais recentes carregam um potencial direto e impactante, quase como se quisesse provar que não é preciso compor longas canções para alcançar o sucesso.
A introdução se tornou algo irrelevante nas canções. O refrão prematuro transporta o ouvinte diretamente para o centro da música. A letra não provoca uma reflexão assertiva; apenas apresenta uma sonoridade boa e rápida, que satisfaz o público com agilidade. A música se adapta, às vezes por escolha do artista, mas, em sua grande maioria, por uma adaptação do público ao consumo rápido, uma estratégia que beneficia as plataformas e molda a indústria a um empobrecimento da escuta.
Não se trata de uma incapacidade do público de ouvir músicas mais longas, mas de uma mudança no comportamento de consumo. Ao iniciar a reprodução, a tendência é avançar para faixas mais curtas, que ofereçam satisfação imediata. Esse padrão se evidencia, por exemplo, na frustração de usuários ao buscar músicas popularizadas no TikTok e perceber que o trecho viralizado aparece no meio ou no início da canção, o que frequentemente leva à interrupção da audição antes do final.
Toda essa ação provoca um mau condicionamento, no qual toda música parece ser feita às pressas, e a indústria musical se favorece ao valorizar faixas breves e imediatas, feitas para alimentar trends passageiras. A questão é se esse favoritismo será levado para grandes premiações como o Grammy Awards, na qual o artista não foi reconhecido pelo sucesso da faixa Glimpse Of Us.
Mas fica a dúvida: seria essa escolha uma provocação do artista ou apenas uma adaptação ao tempo em que vivemos?
Ainda assim, não se deve julgar um álbum pela capa. Joji sempre soube equilibrar seus discos com harmonia, transitando entre interlúdios, faixas extensas e composições curtas, entre profundidade e leveza, sem jamais se prender a paradigmas. O cantor já provou inúmeras vezes que não pertence a um único gênero musical — ele navega entre estilos, experimenta sonoridades e se afirma como um verdadeiro explorador da própria identidade.
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