Alok encontra o público do K-pop sem abrir mão de sua própria pista

Entre drones, bailarinos, hits e referências ao pop sul-coreano, DJ brasileiro ocupou o Palco Mundo antes do Stray Kids e transformou a espera pelo headliner em uma grande pista de dança

Créditos: @alok

A sexta-feira do Rock in Rio tinha sido anunciada como o primeiro dia de K-pop da história do festival, mas, entre NEXZ, Hwasa e Stray Kids, havia um brasileiro encarregado de fazer a ponte entre a música eletrônica e a estética que dominava o Palco Mundo. Às 21h20, Alok entrou em cena com o projeto Keep Art Human, ocupando o intervalo entre Hwasa e Stray Kids e encontrando uma plateia formada majoritariamente por fãs que esperavam pelo grupo sul-coreano. A estratégia poderia parecer arriscada, mas o DJ rapidamente encontrou uma linguagem comum: batidas, espetáculo visual e uma sucessão de momentos pensados para provocar resposta imediata do público.

O contexto ajudava. Desde a abertura dos portões, muitos fãs de Stray Kids haviam se concentrado nas primeiras fileiras do Palco Mundo para garantir posição privilegiada para o encerramento da noite. A concentração chegou a provocar um alerta de segurança depois do show do NEXZ, quando a organização pediu que o público recuasse alguns passos para aliviar a pressão junto à grade. Quando Alok apareceu, portanto, a plateia já carregava horas de expectativa, mas também uma energia construída por uma programação que havia começado com K-pop e chegava ao seu penúltimo ato antes do headliner.

Keep Art Human não é apenas um nome para o espetáculo. O projeto nasceu de uma reflexão de Alok sobre o lugar da criatividade humana diante do avanço da inteligência artificial e coloca tecnologia, música, dança e performance dentro de uma mesma narrativa. Para o Rock in Rio, o conceito ganhou uma escala particularmente grande: 1.500 drones foram previstos para a apresentação, estabelecendo um recorde para um show na América Latina, enquanto 45 bailarinos formaram parte da estrutura coreográfica no Palco Mundo.

O contraste é interessante. A proposta de Alok fala justamente sobre preservar o elemento humano em uma época cada vez mais mediada por tecnologia, mas o espetáculo depende de uma quantidade impressionante de recursos tecnológicos para existir. Telões, iluminação, drones e coreografias não aparecem como acessórios isolados. Eles funcionam como extensão da música e criam uma apresentação que precisa ser percebida tanto pelo ouvido quanto pela dimensão visual.

A resposta do público mostrou que essa combinação funcionou especialmente bem naquele contexto. A plateia, composta em grande parte por fãs de Stray Kids, reagiu com entusiasmo aos drops e à interação proposta pelo DJ. Alok também incorporou referências ao universo sul-coreano, incluindo “Jump”, do Blackpink, além de apresentar uma música inédita com um grupo feminino coreano ainda não identificado nas reportagens sobre a apresentação. A escolha ajudou a estabelecer uma conexão direta com uma audiência que poderia, em princípio, estar ali exclusivamente para o headliner.

Ao final, Alok deixou a pista preparada para Stray Kids. O público que havia chegado cedo para acompanhar os coreanos respondeu aos drops, cantou, dançou e participou de uma apresentação que, apesar de atravessada por referências ao K-pop, continuou sendo essencialmente um show de Alok. A homenagem ao gênero veio como diálogo, não como tentativa de descaracterização.

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