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Stray Kids faz do Rock in Rio um encontro entre escala global e paixão brasileira

Primeiro headliner de K-pop do Palco Mundo, grupo sul-coreano encerrou a noite histórica do festival diante de uma multidão que esperou horas para vê-lo e mostrou por que se tornou um dos maiores nomes da música pop atual

Créditos: MORIVA / @DIEGOPADILHA

O Rock in Rio levou 41 anos para dedicar uma noite de sua programação ao K-pop. Quando finalmente abriu o Palco Mundo para o gênero, escolheu um grupo que já tinha uma relação consolidada com o público brasileiro. À 0h05, na madrugada de sábado (12), o Stray Kids encerrou a programação diante de uma Cidade do Rock tomada pelos STAYs, transformando a estreia no festival em um encontro que vinha sendo construído muito antes daquela noite. A expectativa era visível desde a abertura dos portões: fãs ocuparam as primeiras fileiras horas antes do show e a concentração diante do palco chegou a exigir uma intervenção da organização por questões de segurança.

A espera fazia sentido. O grupo formado por Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N já havia passado pelo Brasil em 2025, quando realizou três apresentações lotadas no MorumBIS, em São Paulo. Um ano depois, o cenário era outro. Em vez de um estádio dedicado exclusivamente ao grupo, havia o Palco Mundo de um dos maiores festivais do país, em uma noite que também entrou para a história como a primeira programação oficialmente dedicada ao K-pop no Rock in Rio.

Créditos: MORIVA / @VICTORCARVALHO

O tamanho do público não era, portanto, uma surpresa. O que impressionava era a maneira como o Stray Kids conseguiu sustentar essa escala sem depender exclusivamente da estrutura típica de um espetáculo de K-pop. A apresentação contou com banda ao vivo, e combinou coreografias, produção visual, efeitos e uma sequência de músicas que percorreu diferentes momentos da discografia. O resultado foi um espetáculo pensado para funcionar tanto como experiência visual quanto como show de música, colocando a força das performances no mesmo nível das próprias canções.

O repertório partiu de algumas das faixas que ajudaram a estabelecer a identidade internacional do grupo. “TOPLINE”, “S-Class”, “MANIAC”, “DOMINO”, “Thunderous”, “God’s Menu”, “Chk Chk Boom” e “LALALALA” estavam entre os grandes momentos esperados, enquanto músicas mais recentes, como “Do It”, “CEREMONY” e “Walkin On Water”, ajudaram a conectar o repertório conhecido pelos fãs às diferentes fases que o grupo atravessou. 

“God’s Menu” continua sendo um dos melhores exemplos da fórmula que fez o Stray Kids ganhar espaço fora da Coreia do Sul. A faixa combina hip-hop, eletrônica, vocais agressivos e uma produção que aposta em mudanças rápidas de dinâmica. “MANIAC” segue caminho semelhante, mas com uma construção mais marcada pelo contraste entre tensão e explosão, enquanto “Thunderous” trabalha elementos tradicionais coreanos dentro de uma produção contemporânea. São músicas que ajudam a explicar por que o grupo conseguiu construir uma identidade tão reconhecível dentro de um mercado em que a competição por atenção é enorme.

Ao mesmo tempo, o Stray Kids não chegou ao Rock in Rio apenas para revisitar os próprios clássicos. “Chk Chk Boom”, lançada em 2024, pertence a uma fase de consolidação ainda mais internacional, enquanto “Do It” e “CEREMONY” representam o material mais recente da banda. A apresentação, portanto, funcionou como uma espécie de panorama da trajetória do grupo, permitindo que quem acompanhava a carreira desde os primeiros anos encontrasse referências conhecidas, enquanto o público mais recente tinha contato com uma formação em plena expansão.

Essa expansão não acontece por acaso. O Stray Kids chegou ao Rock in Rio depois de uma sequência particularmente expressiva de resultados internacionais. O grupo acumulou nove álbuns consecutivos no primeiro lugar da Billboard 200, marca que o colocou em uma posição rara dentro da história da parada norte-americana. Em 2025, também alcançou a melhor colocação entre artistas de K-pop no ranking global anual da IFPI.

Mas números explicam apenas parte do fenômeno. A relação entre o Stray Kids e seus fãs brasileiros também ajudou a construir o tamanho daquela noite. Antes mesmo da chegada ao Rock in Rio, Bang Chan já havia demonstrado interesse pela cultura brasileira. O líder chegou a cantar “Ai, Se Eu Te Pego”, de Michel Teló, em diferentes ocasiões e, durante a passagem de 2025 pelo país, voltou a apresentar a música e arriscou frases em português. No Rock in Rio, a brincadeira reapareceu: Bang Chan cantou novamente um trecho do hit, arrancando uma resposta imediata da plateia.

Esse tipo de interação pode parecer pequeno diante da dimensão de um show daquele tamanho, mas ajuda a explicar a proximidade construída entre artista e público. O K-pop possui uma cultura de fandom particularmente participativa, e o Rock in Rio reconheceu isso ao permitir oficialmente a entrada dos lightsticks, símbolo visual dos fãs do gênero. Naquela noite, o Palco Mundo ganhou uma aparência diferente da que costuma ter em apresentações de rock ou pop ocidental: milhares de pontos luminosos acompanhavam as músicas e transformavam a plateia em parte da própria cenografia.

Quando Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N deixaram o Palco Mundo, o capítulo brasileiro do Stray Kids ganhou mais uma página. O grupo chegou ao festival depois de conquistar estádios, acumulou números históricos e encontrou uma plateia que conhecia cada detalhe de sua trajetória. Saiu deixando algo ainda maior: a confirmação de que, para os STAYs brasileiros, aquela noite era a chegada de uma história que eles já vinham escrevendo juntos havia muito tempo.

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