Após mais de um ano e meio longe dos palcos, cantor encerrou a noite de K-pop com pocket show no Pavilhão Itaú e apresentou ao público carioca um primeiro gostinho da turnê Memórias Póstumas
O Rock in Rio já havia chegado ao fim para boa parte do público quando uma nova multidão começou a se formar diante do Pavilhão Itaú. Poucos minutos depois do encerramento do show do Stray Kids no Palco Mundo, quem ainda estava na Cidade do Rock encontrou outro motivo para permanecer por ali: o retorno de Jão aos palcos. Em seu primeiro show desde janeiro de 2025, o cantor apareceu diante de um verdadeiro mar de gente para apresentar um pocket show que, apesar do formato reduzido, carregava o peso de um reencontro aguardado por mais de um ano e meio.
A apresentação fazia parte da programação de after shows do Pavilhão Itaú, iniciativa que ganhou uma dimensão especial nesta edição do festival. Em 2026, o espaço passou a contar oficialmente com apresentações surpresa realizadas depois do encerramento do headliner do Palco Mundo e da tradicional queima de fogos. O formato prevê shows de aproximadamente 25 minutos e tem também uma função prática dentro da Cidade do Rock, ajudando a distribuir o fluxo de saída do público. Pabllo Vittar e Fernanda Abreu já haviam ocupado o espaço no primeiro fim de semana, enquanto Melody e Léo Foguete foram anunciados para o sábado.
Para Jão, entretanto, aquele palco tinha um significado que ia muito além de uma atração surpresa de festival. Era seu primeiro contato presencial nesse formato de show com o público depois de um longo período afastado das apresentações. O hiato começou em janeiro de 2025, e, durante esse intervalo, o artista lançou Memórias Póstumas, álbum que sucede SUPER e inaugura uma fase mais íntima e marcada por temas como luto, amor e vulnerabilidade. O retorno no Rock in Rio aconteceu justamente algumas semanas antes do grande show de lançamento do disco, marcado para 25 de setembro, em São Paulo.
A escolha do repertório deixou claro que a intenção não era simplesmente reproduzir um show antigo em versão compacta. “Alinhamento Milenar” abriu a apresentação, seguida por “Idiota”, “Catedral”, “Aurora”, “Acontece”, “Por Você”, “Meninos e Meninas” e “Coincidências”. A sequência costurou diferentes momentos da carreira do cantor e, ao mesmo tempo, apresentou ao público algumas das faixas que passam a fazer parte do universo de Memórias Póstumas.
O formato reduzido também deixou uma sensação curiosa. Foram apenas oito músicas, muito menos do que o público encontrará no show completo. Ainda assim, a curta duração pareceu funcionar menos como uma limitação e mais como uma provocação. O cantor não estava ali para entregar a experiência definitiva da nova turnê, mas para abrir a porta e deixar que o público enxergasse o que existe do outro lado.
E a quantidade de pessoas reunidas no Pavilhão Itaú mostrou que a espera não havia diminuído o interesse pelo artista. Quem acabara de assistir ao maior show de K-pop da história do Rock in Rio rapidamente mudou de direção e se concentrou diante do palco do Itaú. Muitos já permaneciam por ali antes mesmo do início da apresentação, enquanto outros foram chegando após a saída do Palco Mundo. Quando Jão apareceu, encontrou uma plateia enorme e disposta a cantar cada palavra.
Foram oito músicas. Pouco tempo para matar uma saudade de quase dois anos, mas o suficiente para deixar uma certeza: se esse foi apenas o gostinho do que Jão está preparando, o dia 25 de setembro promete uma experiência muito maior.


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