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Bad Omens confirma no Rock in Rio por que deixou de ser apenas uma promessa do metalcore

Em sua estreia no festival, banda americana encerrou a programação do Palco Sunset com um show que atravessou diferentes fases da carreira e colocou em evidência a transformação de sua sonoridade

Créditos: Divulgação

O Bad Omens chegou ao Rock in Rio 2026 em uma posição bastante diferente daquela que ocupava quando lançou seu primeiro álbum. Quase uma década depois da estreia, a banda americana já não pode ser tratada apenas como um nome em ascensão do metalcore. O sucesso de The Death of Peace of Mind, lançado em 2022, ampliou consideravelmente seu alcance, aproximou o grupo de públicos que talvez nunca chegassem ao metalcore tradicional e abriu espaço para uma sonoridade em que guitarras pesadas convivem com eletrônica, pop e atmosferas mais sombrias.

No sábado (5), dia dedicado ao metal, essa transformação ganhou um palco proporcional ao momento vivido pela banda. O Bad Omens encerrou a programação do Sunset às 22h50, depois de Malvada, Black Pantera com Nervosa e Poppy, enquanto o Palco Mundo preparava a sequência formada por Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold.

Uma carreira contada em poucas músicas

“Specter” abriu a apresentação, colocando o Bad Omens de 2026 no centro do palco antes mesmo de qualquer retorno ao passado. A escolha é significativa porque a faixa representa a fase mais recente do grupo, marcada por camadas eletrônicas, espaços na produção e uma abordagem menos preocupada em permanecer dentro das fronteiras tradicionais do metalcore.

Logo depois, “Glass Houses” fez o caminho contrário. Presente no álbum de estreia, de 2016, a música recupera uma versão mais diretamente ligada ao metalcore que apresentou a banda ao público. A passagem entre as duas faixas funciona quase como uma apresentação resumida da trajetória do grupo: de um lado, a agressividade dos primeiros anos; de outro, uma produção que hoje trabalha muito mais com atmosfera, textura e contraste.

O peso mudou de forma

É justamente essa transformação que torna a apresentação interessante. O peso continua presente, mas não aparece apenas na velocidade das guitarras ou nos vocais agressivos. Em músicas como “THE DEATH OF PEACE OF MIND”, “Dying to Love”, “CONCRETE JUNGLE” e “Nowhere to Go”, a banda trabalha com graves, sintetizadores, pausas e camadas eletrônicas para construir tensão antes de entregar o impacto.

No palco, isso cria uma dinâmica diferente daquela de um show de metalcore convencional. Há momentos em que a banda parece deliberadamente segurar a explosão, permitindo que a produção construa o ambiente antes de liberar novamente as guitarras.

Noah Sebastian como centro da apresentação

Noah Sebastian ocupa uma posição peculiar dentro desse processo. Sua voz é capaz de sustentar os momentos mais agressivos do repertório, mas sua atuação não depende exclusivamente do gutural. Os vocais limpos e mais contidos são igualmente importantes para as músicas que ajudaram a transformar o Bad Omens em uma banda de alcance muito maior.

Essa dualidade apareceu ao longo do show. Em vez de apresentar duas versões completamente separadas do vocalista, a banda utiliza essas características como partes de uma mesma linguagem.

O sucesso não ficou restrito a uma música

Existe uma maneira fácil de interpretar o crescimento do Bad Omens: como consequência do sucesso de “Just Pretend”. A música, de fato, foi fundamental para ampliar o alcance da banda e levou seu trabalho a públicos muito além da cena de metalcore. Mas o show no Rock in Rio mostrou que reduzir o grupo a esse hit seria insuficiente.

“Just Pretend” ficou para a reta final, depois de “What It Cost” e “Like a Villain”. Quando chegou, funcionou como o grande momento de coro da apresentação, com o público acompanhando a música e respondendo ao pedido de Noah para cantar junto.

O público tinha passado por “Glass Houses”, “THE DEATH OF PEACE OF MIND”, “Concrete Jungle”, “Dying to Love”, “Nowhere to Go” e “V.A.N.”. “Just Pretend” não precisava carregar sozinha o show. Ela apenas confirmou o alcance que o Bad Omens já havia demonstrado durante a apresentação.

Do metalcore ao espaço próprio

Talvez a principal leitura da estreia esteja justamente aí. O Bad Omens surgiu em uma cena específica, mas não permaneceu limitado a ela. Ao longo dos anos, a banda ampliou suas referências e desenvolveu uma estética que hoje transita entre diferentes públicos sem abandonar completamente as raízes pesadas.

Isso também ajuda a explicar sua posição no Rock in Rio. A banda não foi colocada no Sunset como uma atração de abertura que precisava provar que merecia estar ali. Chegou como headliner do palco, encerrando a programação depois de três apresentações e pouco antes do principal momento da noite no Palco Mundo.

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