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Poppy leva sua mistura de metal, pop e performance ao Rock in Rio, mas encontra um público ainda em descoberta

Artista americana fez sua estreia no festival com repertório que atravessou diferentes fases da carreira, estética cuidadosamente construída e uma proposta que desafia as fronteiras entre metal, pop e música experimental

Créditos: @multishow

Poppy nunca foi uma artista interessada em escolher apenas uma identidade. Ao longo da carreira, a americana passou pelo pop experimental, pelo metal industrial, pelo rock alternativo e por diferentes aproximações com a música eletrônica, transformando cada fase em uma espécie de universo próprio. No Rock in Rio 2026, essa característica esteve novamente no centro da apresentação que marcou sua estreia no festival.

Terceira atração do Palco Sunset no sábado (5), dia dedicado às diferentes vertentes do rock pesado, Poppy subiu ao palco às 20h10, depois de Malvada e Black Pantera com Nervosa e antes do Bad Omens. A posição era estratégica: colocava uma artista de difícil classificação diante de um público que, naquele momento, já vinha de uma sequência de shows ligados ao metal e se preparava para duas das atrações internacionais mais aguardadas da noite.

Uma artista construída em torno da transformação

A apresentação começou com “Constantly Nowhere”, faixa que também dá nome à atual turnê da cantora, e rapidamente estabeleceu o caráter mais recente de seu trabalho. O repertório seguiu com “have you had enough?”, “The Cost of Giving Up”, “Concrete” e “Bruised Sky”, criando uma sequência que alternava peso, melodias mais acessíveis e elementos eletrônicos.

Poppy passou por diferentes fases sem transformar o show em uma retrospectiva. O repertório atual esteve no centro, mas músicas como “Scary Mask”, “Crystallized” e “V.A.N.” recuperaram outras etapas de uma trajetória marcada justamente pela reinvenção. A setlist registrada no Rock in Rio também incluiu “Vital”, “Public Domain”, “Time Will Tell” e “If We're Following the Light”.

Quando o gênero deixa de ser uma regra

Poppy talvez seja mais fácil de compreender quando se abandona a tentativa de definir exatamente o que ela faz. Seu repertório pode partir de uma estrutura de metal e incorporar elementos eletrônicos, pop e industrial. Em outras músicas, a guitarra perde protagonismo para a melodia ou para uma construção mais atmosférica.

No Rock in Rio, essa característica encontrou um contexto particularmente adequado. O festival dedicou o sábado ao metal, mas a programação não ficou restrita ao metal tradicional. Sepultura, Bring Me The Horizon, Avenged Sevenfold, Bad Omens, Korzus e Poppy ocupavam espaços diferentes dentro de uma mesma proposta, apresentando interpretações muito distintas sobre o que significa música pesada em 2026. Poppy se encaixava justamente nesse espaço de fronteira.

“The Cost of Giving Up” e a força da fase atual

Entre os momentos mais representativos do show esteve “The Cost of Giving Up”, faixa que integra Negative Spaces, trabalho que consolidou uma fase mais voltada ao rock e ao metal dentro da carreira recente da artista. A música funciona justamente porque não abandona completamente a dimensão pop de Poppy. Existe peso, mas também existe uma preocupação evidente com construção melódica e refrão.

A estética também é parte da música

No caso de Poppy, falar apenas sobre as canções seria insuficiente. A artista construiu uma carreira em que imagem, figurino, performance e música fazem parte de uma mesma linguagem. O próprio Rock in Rio a apresenta como uma artista multimídia, destacando a capacidade de transformar cada nova era em uma experiência visual e sonora própria.

Créditos: @multishow

No festival, isso apareceu de maneira bastante evidente. O figurino usado por Poppy incorporava azul, verde e amarelo, em uma referência direta ao Brasil, enquanto os integrantes de sua banda apareciam mascarados. A escolha visual reforçava a distância entre aquela apresentação e um show convencional de rock.

A plateia foi o principal desafio

Se a apresentação teve qualidades evidentes, também é preciso reconhecer que a recepção não foi homogênea.

Houve uma resposta entusiasmada de parte do público que resistiu mesmo diante da chuva que persistia na Cidade do Rock. Poppy tinha diante de si uma audiência de festival bastante amplo, em um dia dominado por artistas ligados ao rock pesado. Sua proposta é específica demais para depender apenas do reconhecimento instantâneo de algumas músicas.

Uma artista mais interessante do que fácil

Talvez seja justamente essa a melhor maneira de definir a estreia no Rock in Rio. Poppy não entrega uma apresentação fácil de consumir. Não existe um único gênero que organize tudo. Não existe uma persona fixa que permaneça igual durante toda a carreira. E não existe necessariamente um repertório pensado para agradar de imediato a qualquer plateia.

O que existe é uma artista interessada em transformação. Isso faz com que sua presença em um festival como o Rock in Rio seja relevante mesmo quando a conexão com o público não acontece de maneira instantânea.

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