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Jamiroquai prova que o groove não envelhece no Rock in Rio

Em retorno ao Brasil após quase uma década, banda britânica encerra o Sunset com funk, soul, disco e acid jazz, enquanto Jay Kay conduz uma viagem por mais de 30 anos de carreira

Créditos: @rockinrio

Depois de uma sexta-feira dominada pelo K-pop no Palco Mundo, o Rock in Rio encontrou no Palco Sunset uma maneira completamente diferente de encerrar a noite. Às 22h45, o Jamiroquai entrou em cena para uma apresentação que dispensava qualquer tentativa de acompanhar a grandiosidade visual do palco principal. O que havia ali era groove, banda, metais, sintetizadores e uma coleção de músicas que atravessou três décadas sem perder a capacidade de colocar uma multidão para dançar. Liderado por Jay Kay, o grupo britânico voltou ao Brasil depois de quase dez anos e fechou o Sunset reafirmando por que sua mistura de funk, soul, disco e acid jazz permanece tão particular.

O retorno acontecia em um momento especialmente simbólico para a banda. O Jamiroquai surgiu no início dos anos 1990 como um dos nomes associados ao movimento do acid jazz britânico, mas nunca ficou restrito a essa classificação. Ao longo da carreira, Jay Kay e seus músicos incorporaram elementos de funk, soul, jazz, disco e música eletrônica a uma fórmula que se tornou reconhecível desde os primeiros acordes. Mais de 30 anos depois, a banda segue em atividade com a The Heels of Steel Tour 2025/26, que percorreu diferentes países antes de chegar à América Latina.

A passagem pelo Rock in Rio também funcionou como reencontro. A última apresentação brasileira havia acontecido em 2017, e o grupo chegou ao festival em uma noite que poderia facilmente ter transformado sua presença em um exercício de nostalgia. O repertório, porém, não dependeu apenas da lembrança afetiva de quem cresceu assistindo ao videoclipe de “Virtual Insanity” na televisão. As músicas continuam funcionando porque foram construídas sobre algo mais resistente do que uma tendência: ritmo.

E esse é o ponto central de uma apresentação do Jamiroquai. “Virtual Insanity” talvez seja a imagem mais imediatamente associada à banda, especialmente pelo videoclipe que se tornou um dos grandes símbolos visuais dos anos 1990. Musicalmente, entretanto, a faixa é apenas uma parte de uma identidade muito maior. “Cosmic Girl”, “Canned Heat”, “Space Cowboy”, “Alright” e “Love Foolosophy” pertencem a momentos diferentes da discografia, mas compartilham a mesma preocupação com o groove e com a construção de músicas que funcionam tanto em uma escuta individual quanto diante de milhares de pessoas.

“Travelling Without Moving” é um exemplo particularmente interessante dessa longevidade. A faixa-título do álbum de 1996 aparece ao lado de “Cosmic Girl”, disco que ajudou a consolidar a imagem do Jamiroquai em escala mundial. Quase 30 anos depois, essas músicas não precisam ser reinventadas para funcionar. Seus arranjos já carregam a combinação de baixo, bateria, teclados, guitarras e metais que tornou a banda tão influente dentro da música dançante britânica.

“Canned Heat”, por outro lado, representa outra fase. Lançada em Synkronized, de 1999, a música aproximou ainda mais o funk da eletrônica e se tornou um dos maiores sucessos do grupo. A batida continua sendo praticamente um convite automático para a pista, e a presença de uma banda completa no palco preserva justamente aquilo que diferencia o Jamiroquai de uma reprodução nostálgica de suas próprias gravações.

Jay Kay permanece como o centro visual e vocal dessa equação. O cantor construiu, ao longo dos anos, uma persona inseparável dos chapéus extravagantes, das roupas marcantes e da maneira particular de se movimentar no palco. Mas o figurino, por mais reconhecível que seja, nunca foi suficiente para sustentar a carreira. Por trás dele existe uma banda cuja seção de sopros, teclados, baixo e bateria é fundamental para que as músicas mantenham a pulsação que possuem nos discos.

Também foi significativo que o Jamiroquai estivesse no Sunset justamente naquela noite. Enquanto o Palco Mundo apresentava a primeira programação inteiramente dedicada ao K-pop na história do Rock in Rio, com NEXZ, Hwasa, Alok e Stray Kids, o palco vizinho oferecia outra leitura da música pop internacional. Jota.pê, Luedji Luna, Zaynara, Os Garotin, Duquesa e PJ Morton prepararam uma sequência marcada por diferentes vertentes da música negra, antes de o grupo britânico fechar a noite.

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