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Korzus leva quatro décadas de thrash metal ao Rock in Rio e reafirma sua força ao vivo

Veteranos do metal brasileiro encerraram a programação do Global Village no segundo dia do festival com uma apresentação marcada por peso, precisão e repertório que atravessa diferentes fases da carreira

Créditos: MORIVA / @DOPAMINEBLUR

Quarenta e três anos de carreira não são apenas um número quando se fala de uma banda de metal. São décadas atravessando mudanças de formação, tendências, gerações de público e transformações na própria indústria da música. No caso do Korzus, essa longevidade ganhou uma dimensão especial no Rock in Rio 2026: no sábado (5), justamente no dia dedicado ao gênero, a banda encerrou a programação do Global Village diante de um festival que colocou o metal brasileiro em diferentes espaços da Cidade do Rock.

O show começou às 19h10, depois de Rhegia e Noturnall + Russell Allen, fechando uma sequência dedicada ao metal no palco. No Palco Mundo, a mesma noite ainda teria Sepultura, Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold.

Nesse contexto, o Korzus ocupava uma posição que nenhuma banda recém-chegada poderia reproduzir: a de quem não precisava apresentar ao público apenas uma novidade, mas mostrar como uma parte importante da história do thrash metal brasileiro continua funcionando em cima de um palco de grande festival. E funcionou principalmente porque o grupo não tratou a própria história como peça de museu.

O peso de uma banda que continua ativa

O Korzus pertence à primeira geração do metal brasileiro que ajudou a transformar São Paulo em um dos centros importantes do gênero na América Latina. Ao longo de sua trajetória, a banda construiu uma identidade diretamente associada ao thrash metal, mas nunca dependeu exclusivamente da velocidade para produzir impacto.

Essa característica continua evidente na fase atual. A Flesh Machine Tour, que passou por diferentes cidades brasileiras ao longo de 2026, apresenta um repertório que combina músicas de diferentes momentos da carreira. Em apresentações recentes, o grupo tem transitado por faixas como “Guilty Silence”, “Raise Your Soul”, “Vampiro”, “Catimba”, “No Light Within”, “Agony”, “Victim of Progress” e “Discipline of Hate”, além de medleys que recuperam diferentes capítulos da discografia.

A lógica é simples e eficiente: não transformar o show em uma coleção de lembranças, mas utilizar a longevidade como combustível. No Rock in Rio, isso ganhou ainda mais força porque o público estava inserido em uma programação essencialmente voltada ao metal. O Korzus não precisava justificar por que ainda estava ali. Bastava tocar.

Thrash metal sem concessões

Existe uma qualidade importante no som do Korzus ao vivo: a banda não precisa aumentar artificialmente o peso para parecer pesada. A agressividade vem da própria estrutura das músicas.

As guitarras trabalham riffs secos e precisos, a bateria mantém a apresentação em movimento constante e os vocais carregam a urgência característica do thrash. Não há uma tentativa de atualizar a sonoridade apenas para parecer contemporânea. A banda entende que sua identidade já foi construída justamente a partir desses elementos.

A experiência acumulada ao longo de décadas aparece na maneira como o grupo controla dinâmica, andamento e presença de palco. O que poderia ser apenas velocidade se transforma em uma apresentação organizada, com espaço para que cada instrumento cumpra sua função dentro do conjunto.

O repertório como linha do tempo

Um dos méritos do Korzus está na capacidade de construir um repertório que não depende de uma única fase para funcionar.

“Guilty Silence”, “Raise Your Soul” e “Agony” carregam diferentes momentos da trajetória do grupo, enquanto músicas como “Vampiro” e “Discipline of Hate” ajudam a manter a conexão com quem acompanha a banda há mais tempo. Em apresentações recentes da Flesh Machine Tour, o grupo também tem utilizado medleys para condensar diferentes períodos da discografia em uma mesma sequência.

Uma presença que não depende da nostalgia

Ser uma banda veterana em um festival envolve um risco evidente, transformar a apresentação em uma celebração do passado e deixar que a memória faça todo o trabalho.

O Korzus parece entender que isso não é suficiente. A nostalgia está naturalmente presente, especialmente quando se considera a trajetória do grupo e sua importância para o desenvolvimento do metal nacional. Mas ela não é o argumento principal da apresentação.

O argumento é a música. Isso fica evidente quando o repertório atual é colocado lado a lado com faixas mais antigas. O contraste não enfraquece as composições mais recentes; pelo contrário, mostra como determinados elementos permaneceram essenciais na identidade do grupo.

Um palco importante para o metal brasileiro

O Global Village teve uma função particularmente interessante no segundo dia do Rock in Rio.

Enquanto o Palco Mundo concentrava algumas das maiores atrações internacionais da programação, o espaço recebeu três representantes brasileiros do metal: Rhegia, Noturnall + Russell Allen e Korzus. A programação colocou diferentes gerações e vertentes do gênero em sequência, criando uma espécie de recorte da produção pesada brasileira.

Créditos: MORIVA / @DOPAMINEBLUR

O Korzus, naturalmente, ocupava a posição de maior longevidade entre as atrações. A apresentação funcionou como uma espécie de elo entre o passado e o presente do metal brasileiro. Depois de uma banda mais jovem e de um projeto que unia o Noturnall a um vocalista internacional, o Korzus apareceu para lembrar que a cena nacional também possui suas próprias instituições.

E poucas têm uma trajetória tão extensa quanto a deles.

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