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Noturnall e Russell Allen celebram história e virtuosismo no Rock in Rio

Em encontro que marcou os 13 anos do Noturnall, banda brasileira e vocalista do Symphony X transformaram o Global Village em uma celebração do metal e de uma parceria construída desde o início da carreira do grupo.

Créditos: MORIVA / @SMGRAFIAS

Existe uma diferença entre uma participação especial e um reencontro. No primeiro caso, dois artistas dividem um palco por alguns minutos. No segundo, existe uma história anterior àquela apresentação que dá outro significado às músicas. Foi essa segunda situação que o público encontrou no Global Village do Rock in Rio 2026, quando o Noturnall recebeu Russell Allen para uma apresentação que celebrou os 13 anos da banda brasileira.

A relação entre os músicos não começou no Rock in Rio. Allen esteve ligado ao Noturnall desde os primeiros passos do grupo e participou do álbum de estreia, Nocturnal Human Side, lançado em 2014, dividindo os vocais na faixa-título. Também apareceu no registro ao vivo First Night Live. Onze anos depois, o encontro ganhou novamente um grande palco, desta vez dentro da programação do festival.

O contexto fazia diferença. No palco estavam Thiago Bianchi, Guilherme Torres, Saulo Xakol e Henrique Pucci, acompanhados por Russell Allen e pelo baixista fundador Fernando Quesada. Era uma formação especialmente montada para uma celebração que olhava simultaneamente para a trajetória do Noturnall e para a ligação do grupo com uma das vozes mais reconhecidas do metal progressivo.

E o resultado foi um show que colocou a técnica a serviço da celebração.

Metal sem reduzir a dimensão do espetáculo

O Noturnall ocupa um espaço bastante particular dentro do metal brasileiro. A banda trabalha com estruturas progressivas, peso, precisão instrumental e elementos contemporâneos, mas mantém uma preocupação evidente com a construção de músicas que funcionem também fora do universo estritamente técnico.

No Rock in Rio, essa característica ganhou uma escala maior. A guitarra de Guilherme Torres, o baixo de Saulo Xakol e a bateria de Henrique Pucci construíram uma base pesada e precisa, enquanto Thiago Bianchi dividiu os vocais com Allen sem transformar a apresentação em uma disputa entre cantores. O encontro funcionou justamente porque as vozes possuem características diferentes e complementares.

Bianchi representa a identidade construída pelo Noturnall ao longo dos últimos anos. Allen acrescenta ao repertório sua experiência no Symphony X e em outros projetos do metal internacional. Em vez de um apagar o outro, os dois ampliaram as possibilidades das músicas.

Russell Allen em seu território

Russell Allen não precisa de muitos recursos para estabelecer sua presença, a voz é suficiente. O vocalista do Symphony X possui uma das características mais marcantes de sua geração: consegue alternar potência, agressividade e controle sem perder a clareza. Ao lado do Noturnall, essa versatilidade encontrou espaço em músicas que exigem tanto força quanto precisão.

Allen também chega ao palco com uma experiência particular diante do público brasileiro. Em 2026, o cantor já havia passado pelo país com o Symphony X durante a celebração dos 30 anos da banda e falou publicamente sobre a intensidade da recepção dos fãs latino-americanos.

Uma celebração que não dependeu apenas do Noturnall

O repertório também ajudou a ampliar essa conexão. Na apresentação realizada em São Paulo na noite anterior ao Rock in Rio, o grupo combinou músicas próprias como “Try Harder”, “Reset the Game”, “Shallow Grave”, “No Turn at All” e “Sugar Pill” com participações de Fernando Quesada e Russell Allen. O set ainda incluiu versões de “No More Tears”, de Ozzy Osbourne, e “The Mob Rules”, do Black Sabbath, além de referências a Alice in Chains e Queen.

A escolha revela uma característica importante do Noturnall ao vivo: a banda não precisa ficar restrita ao próprio catálogo para estabelecer sua identidade. As versões funcionam como pontes.

Fernando Quesada e o reencontro com as origens

A presença de Fernando Quesada também merece atenção. Um dos fundadores do Noturnall ao lado de Thiago Bianchi, Quesada participou dessa formação comemorativa justamente quando a banda celebrava 13 anos de trajetória. Sua presença acrescenta ao show uma camada que vai além da participação instrumental: ele representa uma ligação direta com o nascimento do grupo.

Celebrar 13 anos de uma banda de metal em um festival como o Rock in Rio tem um peso que vai além de uma data comemorativa. O gênero exige uma relação particular com o público. São fãs que acompanham músicos, formações, discos e projetos paralelos com uma atenção muitas vezes comparável à de torcedores. Uma banda que permanece ativa por mais de uma década constrói, portanto, uma história que não está apenas nos álbuns, mas também nos shows e nas pessoas que passaram por ela.

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