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Os Garotin leva São Gonçalo para o centro do Rock in Rio

Entre soul, funk, rap e referências da música brasileira, trio carioca encontrou seu espaço em uma noite dominada pelo K-pop e ganhou reforço de Duquesa no Palco Sunset

Créditos: MORIVA / @SHOURICO

Em uma sexta-feira marcada pela estreia do K-pop como eixo de programação do Rock in Rio, Os Garotin ocupou o Palco Sunset com uma proposta que vinha de outro lugar, mas dialogava diretamente com a juventude que tomou conta da Cidade do Rock. Formado por Anchietx, Léo Guima e Cupertino, o trio de São Gonçalo apresentou sua mistura de soul, funk norte-americano, R&B, rap e música brasileira diante de um público que, poucas horas depois, estaria concentrado no Palco Mundo para acompanhar Stray Kids. O resultado foi um encontro interessante entre duas formas diferentes de consumir música pop atualmente.

A posição na programação poderia parecer desafiadora. Os Garotin entrou no Sunset depois de uma tarde que já havia colocado Jota.Pê, Luedji Luna e outros nomes da música brasileira em evidência, enquanto o público do Mundo se preparava para NEXZ, Hwasa e, mais tarde, Stray Kids. Ainda assim, o trio não tentou competir com a grandiosidade visual do K-pop. Apostou naquilo que construiu sua identidade desde o início: vozes marcantes, groove, presença de palco e uma banda que ganhou corpo com metais e percussão.

O início da apresentação teve alguns ajustes. Os vocais demoraram um pouco para encontrar o equilíbrio adequado em relação à banda, que soava mais alta nos primeiros momentos. A questão, porém, não permaneceu como protagonista do show. Conforme o repertório avançou, o trio encontrou maior sintonia e passou a explorar melhor a personalidade de cada integrante, especialmente nas interações entre Léo Guima, Cupertino e Anchietx.

Um dos momentos mais importantes veio com “Nossa Resenha”, parceria com Caetano Veloso que ganhou ainda mais alcance ao integrar a trilha sonora do remake de Vale Tudo. A música funciona como um bom retrato da trajetória recente dos Garotin: um grupo que nasceu em São Gonçalo, absorveu referências da black music e da música brasileira e passou a circular por espaços cada vez maiores sem abandonar suas origens. O trio também já dividiu trabalhos com nomes como Arthur Verocai, Hamilton de Holanda e Lenine, além de ter participado do álbum Equilibrivm, de Anitta.

Créditos: MORIVA / @LARAVALENCAN

O encontro com Duquesa reforçou essa conexão com uma geração mais nova da música brasileira. A rapper baiana entrou ainda no começo da apresentação para cantar “Voo 1360”, parceria com Go Dassisti, acrescentando ao show uma camada de rap que se encaixou naturalmente na sonoridade do trio. Não parecia uma participação colocada apenas para provocar uma reação pontual: havia coerência musical entre os artistas e espaço para que Duquesa imprimisse sua própria presença no palco.

E então veio “Zero a Cem”, música que ajudou a colocar Os Garotin definitivamente no radar nacional. O público respondeu cantando junto ao maior sucesso do grupo, confirmando que, mesmo em uma noite em que grande parte das camisetas e acessórios espalhados pela plateia apontava para Stray Kids, havia espaço para uma banda brasileira estabelecer sua própria conexão.

Esse talvez seja o ponto mais interessante da apresentação. Os Garotin não precisou se adaptar ao contexto do K-pop para funcionar naquele palco. Pelo contrário: sua presença ressaltou a diversidade que existe dentro da própria música pop contemporânea. De um lado, uma indústria construída em torno de performances altamente coreografadas, grandes conceitos visuais e fandoms globais. Do outro, três artistas brasileiros que carregam no corpo e na música referências de São Gonçalo, soul, funk, R&B, rap e MPB.

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